Ratinho oficializa Cristina ao Senado com desafio de manter o Unidos e em Paz

Eduardo Pimentel e Rafael Greca, o vice de Sandro Alex, não se fizeram presentes, evidenciando o clima interno. Alexandre Curi, o par de Cristina na chapa ao Senado, compareceu

Em todos os discursos lá está o slogan “Unidos e em Paz”. Nesta terça-feira (4), durante o anúncio de Cristina Graeml como pré-candidata ao Senado na chapa do PSD, não foi diferente. Mas na prática não é e nem será bem assim.

Eduardo Pimentel e Rafael Greca, o vice na chapa de Sandro Alex, não se fizeram presentes — evidenciando o clima interno. Alexandre Curi, o par de Cristina na chapa ao Senado, compareceu. Nos bastidores, o cenário que se avizinha é de divisão, o que coloca em xeque o mote de campanha majoritária.

Não espere ver Eduardo Pimentel e o ex-prefeito da capital pedindo votos para Cristina Graeml. Nem caminhando juntos pelos bairros.

Aliás, não será surpresa, e é bem provável, que trabalhem só para Alexandre Curi e flertem com candidatos da trincheira adversária. O motivo é público: as marcas da eleição de Curitiba em 2024.

E também não estranhe se alguns partidos aliados, hoje no arco de aliança do PSD de Sandro Alex, trilharem o mesmo caminho: declarar apoio só à campanha do presidente da Assembleia Legislativa.

Nem as famosas “colabs” nas redes sociais, para potencializar a divulgação do conteúdo, serão vistas. Até porque, eles sequer se seguem. Ratinho, Sandro e Curi são a interseção destas trincheiras contrárias dentro da própria trincheira e os que levarão a bandeira do “Unidos e em Paz”.

Agendas com a direita

Cristina Graeml, quando questionada no evento desta terça, deixou claro que, para ela, a disputa acirrada de 24 ficou para trás, é página virada. E Ratinho fez questão de endossar o discurso.

Mas o sentimento não é o mesmo de Eduardo Pimentel e Rafael Greca — apesar de respeitosa. De forma bastante hábil, Ratinho vai tentar equilibrar estes pratos durante a campanha, torcendo e, entrando em campo quando for necessário, para que nada se quebre.

O ditado popular “quem bate esquece, quem apanha lembra” não se aplica ao caso. Até porque no pleito municipal, os dois lados bateram e apanharam. Uma riqueza de vídeos e declarações que voltarão à tona pelas mãos e mídias dos adversários tendo a contradição como pano de fundo.

Cristina Graeml, que demonstrou sua força política em 24 nas redes sociais, chegando ao segundo turno sem estrutura partidiária, tempo de rádio e TV vai apostar muito forte no digital. Mas, em 26, podendo contar também com Ratinho como cabo eleitoral.

Ela terá ainda a ajuda de prefeitos aliados e parte da bancada de deputados estaduais que vão dobrar com ela em busca do voto da direita — numa costura feita pelo discreto advogado Jackson André, que acompanha Cristina.

Por óbvio, ela não vai deixar as agendas na capital, maior colégio eleitoral do Estado, mas estará longe da turma unida e em paz.

“Eu tenho agenda em Curitiba também. Eu tenho os grupos de direita estão me esperando ansiosamente desde o dia 28 de outubro de 2024 (fim da eleição) para saber para onde eu ia. E que me acompanharam nestes meses todos a jornada que eu fiz pelo interior e querendo, claro, voltar a conversar comigo”, disse, quando questionada sobre os compromissos de campanha.

Na prática, o que se desenha é a união em alguns municípios no interior, não todos, e esta dissociação em Curitiba. Isso não é segredo para ninguém no ninho do PSD.

Balanço

O PSD encerra o período convencional com a chapa fechada, depois de muita articulação política e alguns desgastes e desgostos, mas ainda em busca da essência do lema.

A principal vitória de Ratinho nesta pré-campanha foi segurar Alexandre Curi após o episódio MDB/Alvaro Dias, mantendo os partidos aliados em torno de Sandro Alex, e trazer Rafael Greca para a vice do “homem da infraestrutura”.

Numa tacada só, tirou Greca da disputa pelo Iguaçu, afastou ele dos encantos de Sergio Moro, colocou Eduardo Pimentel no epicentro da campanha, e garantiu um palanque sólido para o pontagrossense Sandro Alex no maior colégio eleitoral do Estado.

Ratinho monta uma chapa forte, com aliados importantes, que vai em busca de colocar Sandro Alex no 2º turno da disputa pelo Iguaçu, para, chegando lá, ser empurrado pela esquerda de Gleisi Hoffmann — caso Sergio Moro seja o adversário.

Exatamente como aconteceu em 2024 com Eduardo Pimentel contra a mais nova pré-candidata ao Senado, Cristina Graeml.

É preciso, antes do fim, registrar o comportamento dela durante toda a pré-campanha. Apesar do falatório, se manteve a crença na promessa de Ratinho de que estaria na majoritária.

Nos eventos do PSD pelo interior e região metropolitana de Curitiba, rasgou elogios ao “Tarcísio de Ratinho”, como ela se refere a Sandro Alex, e sempre enalteceu a candidatura de Alexandre Curi. Ela sim, tenta empunhar o “Unidos e em Paz”.

Se for eleita senadora da República, disse ao Blog Politicamente, promete encerrar o mandato sem disputar as eleições municipais de 2028 e a de governo em 2030. Uma música para os ouvidos de Eduardo Pimentel, Ratinho Junior e Alexandre Curi.

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