Presidente do Republicanos se licencia em convenção que confirma Alexandre Curi ao Senado

Na convenção que confirmou Alexandre Curi, Pedro Lupion se licenciou da presidência do partido por discordar do apoio a Sandro

A convenção do Republicanos do Paraná, no início da noite desta segunda-feira (3), confirmou Alexandre Curi como o candidato ao Senado Federal na chapa encabeçada por Sandro Alex (PSD).

Mais do que a vaga, o evento marcou a reaproximação política entre o presidente da Assembleia Legislativa com o governador Ratinho Junior e o “homem da infraestrutura” após o episódio envolvendo a “pré-candidatura natimorta” de Alvaro Dias (MDB) na chapa do PSD.

Não sem antes, os chefes dos dois poderes se reunirem a portas fechadas, fora do Palácio Iguaçu, para aparar as arestas e afinar o discurso. Pouco ou quase nada se sabe do conteúdo conversado. Cristina Graeml, cotadíssima para fazer dupla com Curi na corrida ao Senado, com certeza foi um dos temas.

A tendência é que Ratinho anuncie ela nesta terça-feira (4) após conversas com o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e o candidato a vice, Rafael Greca. Apesar das resistências internas, que já são de conhecimento do governador, a vaga deve ficar mesmo com o PSD.

Presidente se licencia

Mas um outro fato, nos bastidores, alheio à festança e os discursos inflamados na convenção, também chamou a atenção. Pedro Lupion se licenciou da presidência do partido por discordar do apoio a Sandro Alex.

Quem assumiu a dianteira no partido foi Rodrigo Khury — irmão de Alexandre. Aliás, a convenção foi dividida em dois momentos: antes de Ratinho e Sandro Alex chegarem, próximo das 20h, e depois.

Na primeira parte, cumpriu-se o protocolo: a homologação dos candidatos que vão disputar as cadeiras na Assembleia Legisltiva e os que vão tentar chegar na Câmara Federal. Muita foto e vídeos para a internet.

Na segunda etapa, foram os discursos elogiosos — como se nada tivesse acontecido na semana passada.

Quem observou com cuidado viu um detalhe: Pedro Lupion só permaneceu no palco durante a primeira parte do evento. Depois, quando Sandro Alex e Ratinho chegaram, ele desceu.

Página virada

Apesar dos episódios recentes, Alexandre Curi fez questão de virar a página e retomar o lema Unidos e em Paz. Fez elogios a Alvaro Dias — destacando a atuação dele como governador do Estado do Paraná e também no Senado Federal.

Aproveitou o momento para cutucar os atuais senadores — entre eles Sergio Moro, que vai disputar o Palácio Iguaçu. “Quando ele (Alvaro Dias) era senador, o Paraná tinha representação”, disse.

Em outro trecho do discurso, mas ainda com o mesmo objetivo, afirmou que não existe super herói na política. “O que existe é um bom gestor, como este jovem governador que uniu o Paraná”, disse apontando para Ratinho.

E que a eleição de Sandro Alex garantiria a continuidade do governo Ratinho. Destacou o trabalho do “homem da infraestrutura” na secretaria ao elencar obras que saíram do papel — como as pontes de Guaratuba e da Integração.

Ratinho foi na mesma toada. Contou aos muitos presentes que governou o Paraná sem ter apoio dos atuais senadores, mesmo tendo feito campanha e sido determinante na eleição do empresário Oriovisto Guimarães ao Senado em 2018.

Superar o Alvaro

“Alexandre Curi será o nosso embaixador em Brasília”, proclamou o governador, para depois emendar o mesmo entusiasmo a Sandro Alex: “Vamos ganhar no 1º turno”. O “homem da infraestrutura” fez coro, ao citar que Alexandre Curi será o senador mais votado da história do Paraná”.

Se a profecia de Sandro Alex se confirmar, Curi vai superar o desempenho de… Alvaro Dias, que em 2014 fez pouco mais de 4,1 milhões de votos — conquistando a maior votação proporcional para o Senado no Brasil naquele ano.

Justamente o emedebista que, pouco antes da convenção do Republicanos, divulgou uma carta confirmando a desistência da pré-candidatura ao Senado depois de compreender que não existia, “dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome”.

  • Leia mais: Alvaro Dias confirma que não será candidato ao Senado

Rafael Greca não foi. Tinha compromisso. Mas na falta do cantante, Orlando Pessuti, outro emedebista entusiasta com as notas musicais, assumiu a função e deu um “tostão da sua voz”.

Prefeitada

A convenção reuniu, segundo os organizadores, cerca de 300 prefeitos — além de secretários municipais, estaduais e muitos do primeiro escalão do governo. É a força e a estruturação política que Alexandre Curi espera ter na corrida pelo Senado.

E para isso, o recado foi dado: alguns comentaram que a convenção de Alexandre Curi parecia a de um candidato a governo. Aliás, alguns prefeitos que ficaram do lado de fora, adotavam um tom de ressentimento sobre a decisão, agora sem volta, do anfitrião concorrer a Câmara Alta.

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