Uma licitação milionária da Sanepar tem despertado a atenção em alguns órgãos de controle do Estado e já é tema de rodinhas de conversa no 4º andar do Palácio Iguaçu.
Em dezembro de 2024, a companhia soltou no mercado a licitação pública, em dois lotes, na modalidade pregão eletrônico número 1.566 que previa a contratação de postos de serviços de limpeza, conservação e portaria — assinada pelo diretor administrativo da Sanepar, Fernando Mauro Nascimento Guedes.
A concorrência atraiu grandes empresários do setor que, por hora, só juntam e analisam os pareceres da área técnica da companhia. Pessoas ouvidas pelo Blog Politicamente acreditam que o caso será judicializado.
Para o lote 1, que atende a região Leste e engloba Curitiba, a Sanepar recebeu quatro propostas e todas elas foram desclassificadas. As duas primeiras, explica a companhia, por não entregarem documentação para habilitação e as últimas por apresentarem propostas inexequíveis. Desta maneira, a quinta empresa, a Etica, foi chamada para apresentar a documentação.
Já no lote 2, foram desclassificadas três empresas e a quarta colocada foi declarada vencedora — “após criteriosa análise de exequibilidade”, cita a Sanepar. As duas primeiras não entregaram documentos de habilitação e a terceira foi desclassificada por inexequibilidade.
A empresa Auxiliar de Serviços Gerais do Paraná Ltda, cuja matriz fica na rua Desembargador Ermelino de Leão, no Centro de Curitiba, deu um lance de R$ 30,9 milhões por um contrato de dois anos, e foi declarada vencedora do lote 2 — embora o resultado não tenha sido homologado.
Passados mais de oito meses, o processo ainda não foi encerrado. O que alguns dentro da Sanepar e também empresários ouvidos pelo Blog Politicamente ainda não conseguiram entender é porque a companhia resolveu fazer um contrato emergencial no valor de R$ 13 milhões, por seis meses de contrato, para a prestação de serviços de limpeza, conservação e portaria — exatamente o mesmo objeto da licitação que está em andamento.
E uma coincidência despertou a atenção de alguns palacianos: a empresa contratada de forma emergencial pela Sanepar é justamente a Auxiliar de Serviços Gerais do Paraná Ltda, vencedora do Lote 2 da licitação com um valor de R$ 30,9 milhões.
Nos bastidores, já se comenta que a licitação deve parar na Justiça, com questionamento das empresas desclassificadas — o que pode colocar em risco o andamento da concorrência. Pior que a licitação “subir no telhado” é chegar ao gabinete do 3º andar do Palácio Iguaçu.
Outro lado
Em nota enviada ao Blog Politicamente, a Sanepar informou que a licitação “segue os trâmites normais, porém, pela natureza do serviço, apresenta uma complexidade no processo que demanda diversas diligências para detalhamento das planilhas apresentadas pelas proponentes e análise de custos de cada item da proposta”.
E com relação à contratação emergencial, a companhia justificou citando que o atual contrato venceu e a empresa Auxiliar apresentou a proposta com o menor preço.
O Blog também tentou contato com a empresa Auxiliar, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.