Barulhos de estampido foram ouvidos no Palácio Iguaçu na manhã desta quinta-feira (3) logo após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest com cenários de segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os dados mostram que o governador Ratinho Junior furou a bolha, rompeu a divisa do Paraná e se apresenta de forma competitiva para disputar o Palácio do Planalto. Antes promessa, Ratinho hoje é realidade no cenário nacional.
O desempenho mais comemorado e promissor foi o panorama de disputa num eventual 2º turno com o presidente Lula. O governador do Paraná aparece com 35% de intenção de voto contra 42% do petista. O resultado aperta já que a margem de erro é de 2% para mais ou para menos. Ou seja, num cenário mais otimista, Ratinho pode ter 37% contra 40% do atual presidente.
Melhor que Ratinho, só o próprio Bolsonaro que aparece num empate técnico com o presidente Lula: 40% ante os 44% do petista. Nos outros oito cenários, Lula leva a melhor, apesar da queda da popularidade: Michele Bolsonaro teria 38% e Lula 44%, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, com 37% e o atual presidente com 43%. Dentre todos eles, Ratinho é quem tem a menor rejeição: 29% — enquanto Lula e Bolsonaro têm 55%, Michelle 48% e o governador paulista 32%.
Mas os porcentuais são muito próximos considerando a margem de erro da sondagem eleitoral — o que mostra esta tendência de derretimento de Lula e avanço eleitoral dos candidatos de direita. Prova disso, é que a maioria dos eleitores entrevistados, 62%, é contra uma nova candidatura de Lula.
Equipe que já pensa em 26
Dois motivos explicam o desempenho de Ratinho: a constante queda de popularidade de Lula e o trabalho da equipe de Ratinho de nacionalizar o nome do governador. Internamente, dois nomes despontam no time do Iguaçu que já respira e pensa eleição presidencial: Eduardo Bekin, presidente da Invest Paraná, e Cleber Mata, da Comunicação.
O primeiro, de forma silenciosa, tem aberto diálogo estratégico com o alto empresariado brasileiro e instituições financeiras em reuniões cada vez mais frequentes em São Paulo, já Cleber Mata tem difundido o nome de Ratinho na imprensa nacional — cumprindo exatamente a missão que recebeu do apresentador Ratinho, pai do governador, quando foi convidado, na virada do primeiro para o segundo mandato, para assumir a secretaria de Comunicação do Paraná.
Ratinho, no entanto, sabe que o líder da Direita hoje tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. Apesar da inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Capitão ainda nutre esperanças de disputar em 26 — seja pelo projeto de anistia aos condenados de 8 de janeiro que tramita no Congresso Nacional ou numa canetada da Justiça Eleitoral a partir da nova formatação da Corte, em agosto do ano que vem, com os ministros Nunes Marques e André Mendonça na presidência e vice, respectivamente.
A esquerda, obviamente, é contra a anistia porque sabe que o projeto é encomendado ao ex-presidente, mas alguns setores da canhota já começam a pensar em se sentar à mesa com os bolsonaristas para debater a dosimetria das penas — uma convergência forçada muito em função da pressão em torno do caso da cabeleireira Débora Santos presa suspeita de ter pichado com batom a estátua da Justiça e com possibilidade de pegar 14 anos de regime fechado.
Neste cenário, diante de uma condenação iminente no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, a pena de Bolsonaro seria abrandada — o colocando fora da disputa por alguns ciclos eleitorais. Ciente disso, Bolsonaro quer esticar a corda ao máximo e participar de forma determinante da eleição presidencial de 26, primeiro para não perder o protagonismo político e também para colocar em prática o projeto de construção de um Senado Federal majoritariamente com aliados para pautar processos de impeachment de ministros da Suprema Corte.
Bolsonaro tem feito acenos aos principais nomes da Direita — dentre eles, Ratinho Junior. O ex-presidente já confidenciou que cogita convidar o governador do Paraná para ingressar no PL. Hoje, Ratinho sabe que, com Bolsonaro fora de 26, o principal nome é de Tarcísio de Freitas — que, por sua vez, teria que abrir mão da reeleição no maior colégio eleitoral do país.
Compasso de espera

Ratinho está bem posicionado para a disputa de 26 e o trabalho da equipe destacada para projetar o governador para todo o país está azeitado e vai de vento em popa. É preciso aguardar o futuro político de Bolsonaro, a difícil “escolha de sofia” de Tarcísio e, ao mesmo tempo, conter a agitação interna no Palácio Iguaçu que pode acabar numa erupção e refletir negativamente no projeto nacional.
A pesquisa Genial/Quaest mostra um Lula desgastado politicamente — muito em função dos rumos da economia brasileira. A pressão dos preços nas gôndolas dos mercados ameaça a reeleição do petista. Estamos, portanto, diante de um cenário eleitoral para 2026 que pode apresentar um presidente fraco eleitoralmente e um ex-presidente inelegível — caminho aberto para a possibilidade do fim da polarização que se arrasta desde 2018. Pelo menos dentre os personagens centrais.
Ratinho vai se apresentar ao eleitor brasileiro como um candidato moderado e com o discurso inédito de paz política. Este posicionamento deve agradar a parcela da população que vem crescendo nas pesquisas eleitorais: os que não querem nem Lula nem Bolsonaro.
O momento político é bom para governador do Paraná que vem passando longe até mesmo da crença popular do inferno astral — conceito da astrologia e da cultura esotérica que se refere ao período de 30 dias antes do aniversário. No próximo dia 19, Ratinho completa 44 anos e a pesquisa Genial/Quaest vem como um presente antecipado ao governador.