Ex-funcionário da Celepar confessa ser “fantasma” e firma acordo para devolver R$ 286 mil

A partir da investigação do MP, é que o ex-assessor da Celepar confessa o crime e decide assinar o ANPC
Ex-funcionário da Celepar confessa ser "fantasma" e firma acordo com MP
Foto: Divulgação/Celepar

Por Carol Nery 

Lauro Rodrigues da Costa Neto, ex-funcionário da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná), celebrou um Acordo de Não Persecução Civil (ANPC) com o Ministério Público do Paraná (MPPR) em que confessa ter sido funcionário “fantasma” — ou seja, recebia remuneração sem a efetiva prestação dos serviços — entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025.

Conforme o MP, Lauro ocupava um cargo comissionado com atribuições voltadas à articulação institucional junto aos municípios do estado. Ele recebia cerca de R$ 17 mil por mês.

As apurações apontaram que o investigado deixou de desempenhar as funções de forma efetiva e não apresentou relatórios ou elementos que comprovassem o trabalho, resultando no encerramento do vínculo funcional.

A conduta foi então enquadrada como ato de improbidade administrativa com enriquecimento ilícito, violando os princípios da legalidade, moralidade, eficiência e lealdade às instituições.

Termos e condições do acordo com MP
O interesse no acordo com o MP foi manifestado em junho deste ano e firmado em 28 de setembro de 2026. O ex-funcionário se comprometeu a reparar integralmente o dano, com a devolução de R$ 286.112,11.
Lauro também terá que arcar com uma multa de R$ 26.010,19, equivalente a 10% do acréscimo patrimonial indevido. A soma total deverá ser quitada em 36 parcelas mensais. Os depósitos serão creditados diretamente na conta-corrente da Celepar.
Em caso de descumprimento das obrigações, será cobrada multa diária de R$ 100, além de vencimento antecipado da dívida, execução judicial imediata e impedimento de realizar acordos por cinco anos.
De acordo com a investigação do MP, Lauro Rodrigues da Costa Neto “trabalhava” tanto em Curitiba quanto no escritório regional de Ponta Grossa — tendo como  padrinho político: Marcelo Rangel — deputado estadual, e ex-prefeito de Ponta Grossa.
Aliás, o ex-assessor da Celepar mantém há anos relação com a família Rangel. De março de 2011 a julho de 2012, Lauro Rodrigues da Costa Neto foi assessor parlamentar de Sandro Alex, irmão de Marcelo, na Câmara Federal.

Em 2013, Lauro Rodrigues da Costa Neto foi nomeado Controlador Geral do Município de Ponta Grossa pelo então prefeito Marcelo Rangel.

Em 2023, quando Rangel assumiu a secretaria de Inovação Modernização e Transformação Digital, no governo Ratinho, Lauro Rodrigues da Costa Neto respondia pela diretoria de operações da pasta.

Alvo da operação Pactum

Em 2024, ele acabou sendo exonerado por Marcelo Rangel depois que veio à tona uma investigação do Gaeco que apurava, no âmbito da operação Pactum, a existência de organização criminosa composta por agentes políticos, servidores públicos e empresários, voltada à prática dos crimes de fraude a licitações, tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Um dos investigados era justamente Lauro Rodrigues da Costa Neto. O Gaeco chegou a pedir um mandado de busca e apreensão na casa dele, mas foi indeferido pela justiça de Ponta Grossa.

O Blog Politicamente apurou que a investigação ainda está em curso inclusive a Justiça autorizou a quebra do sigilo fiscal e bancário do ex-assessor da Celepar.

É no início de 2024, que Lauro Rodrigues da Costa Neto ganha um cargo na Celepar — supostamente por indicação de Marcelo Rangel. Ele só é exonerado no dia 31 de janeiro de 2025 pelo diretor-presidente André Gustavo Souza Garbosa, segundo portaria número 022/2025.

O motivo da exoneração? O MP passou a oficiar a Celepar pedindo informações sobre o trabalho exercido por Lauro Rodrigues da Costa Neto. A partir desta investigação, é que o ex-assessor confessa o crime e decide assinar o ANPC.