Bate-boca na CCJ termina na delegacia e pode chegar ao Conselho de Ética

A confusão, desta vez, começou com uma discussão entre Renato Freiras e um assessor de Márcio Pacheco, tendo culminado com bate-boca com Ademar Traiano. Caso deve chegar no Conselho de Ética

Nem mesmo o deputado estadual mais pessimista apostou que o clima de cordialidade na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Assembleia Legislativa duraria tão pouco. Nesta segunda-feira (24), durante a segunda sessão do ano, a coisa desandou. É bem verdade, que já era esperado — diante da composição da comissão, com Ademar Traiano (PSD) e Renato Freitas (PT) ombreados, e do histórico do embate entre eles.

A confusão, desta vez, começou com uma discussão entre o petista e um assessor parlamentar do deputado Márcio Pacheco (PP). Renato Freitas afirmou que, durante sua fala, o servidor estava fazendo caras e bocas — o que teria irritado o petista.

“O senhor está com algum problema? Porque o senhor está me incomodando. Não tem educação e quer ter evidência aqui na sala da CCJ. Estou falando exatamente com você, rapaz (se referindo ao assessor). Porque se você começar a fazer mímicas e dar gargalhadas ou interferir na minha atuação parlamentar, terei que pedir para você se retirar”, disse o petista, até então, em tom calmo.

Pacheco “tomou as dores” do funcionário. “Ele é da minha assessoria e vai permanecer aqui. O senhor que faça a leitura do seu documento. Você não manda aqui”. Renato Freitas então subiu o tom. “Eu faço o que eu quiser. Quem é você, coronelzinho de meia pataca”. Foi neste momento, que Traiano intercedeu. “Eu exijo respeito de sua excelência. Aqui não tem coronelismo, mas sim um deputado”.

“Então exija respeito dele e daquele rapaz. Não tenho medo do senhor que é corrupto. O senhor é corrupto e não tem nem moral para falar”, retrucou Renato Freitas, relembrando a série de discussões com Traiano sobre o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) assinado pelo então presidente da Casa com o Ministério Público do Paraná em que ele confessa ter recebido R$ 100 mil de propina de um empresário que mantinha contrato com o Poder Legislativo.

Foto: Reprodução Youtube/Alep

Uma boa fonte do Blog Politicamente conta que Traiano e Pacheco já pensam em entrar com uma representação na Comissão de Ética da Assembleia contra Renato Freitas.

Esse “remember” entre Ademar Traiano e Renato Freitas não foi surpresa e era questão de tempo. Mas o bate-boca não parou por aí e o caso foi parar na delegacia de Polícia Civil. Após o término da sessão, o assessor parlamentar e Renato Freitas acabaram se estranhando do lado de fora da sala da comissão.

Um vídeo que circula nas redes sociais, mostra o petista empurrando o servidor para afastá-lo. Se não bastasse isso, uma mulher que acompanhava a reunião da CCJ teria praticado ato de racismo contra outros assessores parlamentares. O deputado Tito Barrichello, que é delegado de polícia, deu voz de prisão e o caso rompeu os muros da sede da Assembleia.

Não precisa entender nada de política para saber que a reunião da CCJ é um barril de pólvora. Ano novo, discussão velha com personagens já conhecidos. E nos bastidores, comenta-se, que Traiano quer abrir uma conta numa rede social para transmissão (mais uma) da sessão da CCJ. Haja engov.

Repercussão

Em nota divulgada para a imprensa, Renato Freitas afirmou que “é frequentemente perseguido por seus posicionamentos comprometidos com o povo do Paraná e sem rabo preso com o Governo do Estado. Por isso, é alvo de provocações e interrupções durante sua atuação parlamentar. Reiteramos que a postura do assessor, que desrespeitou o deputado no exercício de sua função, é inaceitável e não deve ser encorajada por nenhum parlamentar”.

Gugu Bueno, 1º secretário da Casa, disse lamentar a confusão dentro da da Assembleia Legislativa do Paraná. “O ocorrido hoje na CCJ está sendo averiguado pelo Gabinete Militar, já tivemos um desdobramento hoje que foi a condução para um distrito policial em tese da pessoa que ofendeu o servidor, obviamente que agora também isso cabe à autoridade policial fazer essa investigação”, afirmou, citando que vai aguardar um parecer do gabinete militar e da Diretoria de Comunicação “para encaminharmos as possíveis soluções, mas, principalmente, que a gente tenha uma atuação preventiva para que isso não volte mais a ocorrer, porque, obviamente, é um episódio triste para a Assembleia Legislativa do Paraná.”