Dino manda PF investigar conclusões da CPI da Covid; Bolsonaro e Ricardo Barros entre os alvos

Ricardo Barros diz que decisão de Flávio Dino é lamentável e que trata-se de mais um episódio do ativismo político do judiciário

Políticos experientes com anos de andanças pelos salões verde e azul do Congresso Nacional não acreditam em coincidência. 48 horas depois que a Câmara Federal aprovou a PEC da Blindagem, que aliás é um retrocesso sem tamanho e só beneficia deputados e senadores, o ministro da Suprema Corte Flávio Dino determinou a abertura de um inquérito que acarca o ex-presidente Jair Bolsoaro, e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos, além de outras 20 pessoas.

Dentre as duas dezenas de alvos, está o deputado federal do Paraná Ricardo Barros — que foi líder de Bolsonaro na Câmara Federal. A investigação tem como foco a disseminação de desinformação sobre a pandemia e o incentivo ao desrespeito de medidas de combate à Covid-19. Na prática, a Polícia Federal vai investigar as conclusões da CPI da Covid.

Mas o escopo é flexível. Dino já adiantou que a apuração aponta outros possíveis crimes. “A investigação parlamentar apontou indícios de crimes contra a administração pública, notadamente em contratos, fraudes em licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos, assinatura de contratos com empresas de ‘fachada’ para prestação de serviços genéricos ou fictícios, dentre outros ilícitos mencionados no relatório da CPI”.

Em nota enviada ao Blog Politicamente, Ricaedo Barros reagiu: “Lamentável, é mais um episódio do ativismo político do judiciário. Todas as testemunhas ouvidas pela CPI da Covid negaram a minha participação nos atos investigados pela Comissão. Em 2023, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), arquivou as denúncias relacionadas ao meu nome. Provarei a minha inocência mais uma vez, como fiz durante a CPI da Covid e reitero meu repúdio ao ativismo político do Judiciário”, disse.

Esta não foi a primeira reação de Dino à PEC da Blindagem. O ministro finalizou a fase de instrução dos processos que envolvem a apuração sobre as emendas parlamentares — o que foi entendido pelos congressistas como uma forma de acelerar o julgamento dos investigados.

 

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