O primeiro e único debate da campanha de 2026, com os três principais candidatos ao Palácio Iguaçu, foi marcado por uma troca intensa de alfinetadas e poucas propostas.
O eleitor que ficou até o início da madrugada desta quarta-feira (30) viu o clima esquentar entre os concorrentes ao Governo do Paraná durante o debate da RPC.
E a audiência em Curitiba e região metropolitana respondeu — com picos de até 27 pontos nos primeiros minutos do debate e na casa dos 10 depois da meia-noite.
As pesquisas de intenção de voto que serão divulgadas ainda nesta semana vão captar a reação do eleitorado — e se o debate de alguma forma mexeu nos porcentuais dos candidatos. Em especial, a Quaest que vai a campo na sexta e no sábado, véspera do pleito.
Não houve nenhum grande vencedor e também ninguém se saiu tão mal a ponto de impactar nas pesquisas de intenção de voto. Isso, por si só, já é uma baita vitória para os candidatos.
O modelo adotado pela emissora global, menos engessado, contribuiu com a desenvoltura dos candidatos e os temas livres permitiram os confrontos diretos e mais ácidos.
Quem esperava que Moro, por liderar as pesquisas, fosse o alvo central, se enganou, ao ver Sandro Alex muito mais acuado pelos adversário.
Clima amistoso
A sensação é que os embates entre Sergio Moro e Requião Filho foram muito mais amenos do que os confrontos em que Sandro Alex participou.
O lema do Unidos e em paz, já deixado de lado pela campanha do PSD, refletia o clima entre os candidatos do PL e PDT — talvez até, consientemente ou não, por uma questão estratégica de campanha.
Moro e Requião Filho chegaram a questionar assuntos de interesse comum — como combate à corrupção, feminicídio e as consequências da privatização da Copel para os parananeses. Só se “desassociaram” quando o assunto foi Lula e Flávio Bolsonaro. Daí cada um puxou a sardinha para o seu lado.
Quem esperava um escorregão ou uma gafe de Sergio Moro foi dormir chateado. Bem treinado pelo marqueteiro Marcelo Catani, Moro debutou no debate eleitoral da campanha de 2026 subindo o tom contra Sandro Alex — já no primeiro confronto entre eles.
Tayayá apareceu no debate
O assunto escolhido foi uma obra de asfalto feita na gestão de Sandro Alex como secretário da infraestrutura na PR-415 que dá acesso ao famoso resort Tayayá, que fica em Ribeirão Claro, no Paraná.
O empreendimento ganhou os holofotes nacionais pelas transações financeiras e societárias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro da Suprema Corte, Dias Toffoli.
A cinco dias da eleição, foi a primeira vez que Sergio Moro abriu o paiol e desferiu os primeiros golpes contra o candidato de Ratinho Junior — que aliás, chegou com Sandro Alex, mas permaneceu por menos de 20 minutos na sede da emissora e foi embora.
Os objetivos do trio
Moro foi para o debate da RPC com o objetivo de responder aos ataques disparados da trincheira de Sandro Alex e conquistar os votos que lhe faltam para vencer a eleição do Governo do Paraná já no 1º turno.
Requião Filho e Sandro Alex tinham em comum o desejo de sensibilizar os paranaenses para conquistarem uma vaga num eventual 2º turno. O pedetista, desde a chegada na sede da RPC, parecia mais leve e solto. Distribuiu sorrisos e conversou com os jornalistas que aguardavam o início do debate.
E assim foi para o estúdio. Chegou a esboçar alguns sorrisos quando viu o enfrentamento entre Moro e Sandro Alex envolvendo o resort. Aliás, nenhum candidato mencionou a sociedade temporária do apresentador Ratinho com a marca Tayayá.
Requião Filho parecia esperar o desgaste dos adversários para quem sabe herdar votos que lhe garantam a passagem para o 2º turno. Permaneceu calmo, por vezes até irônico com os concorrentes, mas nem de longe pareceu o pai Roberto Requião — que acompanhava o debate na redação da RPC.
Requião pai não gostou
O ex-governador, que é candidato a deputado federal, só resmungou quando Sandro Alex falou da atuação de Eduardo Requião no Porto de Paranaguá. Ao final, apenas disse: depois de hoje, Sandro Alex não estará no 2º turno.
Sandro Alex, candidato de Ratinho, foi o mais acuado pelos concorrentes — em confrontos sempre mais tensos. Além de apresentar propostas teve que responder sobre Tayayá e também pela contratação pelo governo do estado do Credcesta — um cartão de crédito consignado vinculado a salário e benefícios para servidores, associado a operações do liquidado Banco Master.
É o ônus de ser o candidato representado pelo governo — contra dois adversários de trincheiras oposicionistas. Teve que aguentar quieto a provocação feita por Requião Filho dizendo que Sandro Alex foi a terceira opção de Ratinho como candidato ao Iguaçu, entre outras estocadas.
Nervosismo
Sandro chegou à sede da RPC um pouco mais nervoso do que os adversários. Sabia que o desempenho no debate da RPC poderia lhe carimbar o passaporte para um eventual 2º turno. E por isso, não podia errar, nem vacilar.
O nervosismo foi aos poucos passando e Sandro Alex cumpriu a estratégia desenhada pelo comando da campanha. Aliás, o marqueteiro argentino Jorge Gerez não acompanhou o candidato. A relação, conta uma boa fonte, já foi bem melhor entre eles.
Sandro Alex martelou o que vem dizendo nas redes sociais e na propaganda eleitoral. Por mais de três vezes trouxe o assunto Flávio Dino para o debate — citando que ele havia recebido o voto favorável de Moro para ingressar no STF, o que foi negado, também por mais de três vezes, pelo candidato do PL.
E insistiu na tese de que Moro deve permanecer como senador da República, para atuar no Senado na crise do STF, e nas relação conflituosa do adversário com a família Bolsonaro. A ideia era carimbar em Sergio Moro a pecha de traidor.
Os dois chegaram a discutir sobre a proximidade com Jair Bolsonaro — com Moro, que tem o apoio declarado de Flávio e Michele Bolsonro, dizendo que recebeu um telefone do ex-pesidente para acompanhá-lo no 2º turno das eleições de 2022 contra Lula.
Já Sandro Alex disse que construiu com Bolsonaro obras importantes para o estado e desenhou o modelo atual de concessão das rodovias.
Papo de louco
No terceiro e último bloco de interações entre os candidatos, o debate entre Sandro Alex e Sergio Moro parecia papo de maluco. Enquanto o candidato do PSD falava e questionava sobre obras de infraestrutura na região Central do Paraná, Moro falava e questionava sobre o Credcesta.
A Copel foi tema, principalmente, do embate entre Requião Filho e Sandro Alex — um tentava empurrar para o outro a responsabilidade sobre o aumento da conta de luz no Paraná. O pedetista dizia que a Copel pediu o reajuste e a Aneel consentiu.
Sandro Alex disse que caberia à Agência Nacional de Energia Elétrica conceder o aumento. Entrou na discussão do salgadinho Tostines — que vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais?
No assunto copeliano: a Aneel aumentou porque a Copel pediu ou a Copel só aumentou por que a Aneel autorizou?
E quem ganhou?
A imagem desta reportagem foi capturada antes do início do debate e não demonstra nem de longe a tensão que envolveu o único debate até aqui da campanha eleitoral.
Os três candidatos mostraram que chegaram preparados para o confronto com os adversários e certos de que o desempenho pode interferir na corrida eleitoral.
Caberá ao eleitor do Paraná decidir nas urnas no próximo domingo quem conseguiu performar melhor e conquitar os votos. Talvez a urna responda quem foi o vitorioso do debate.