De olho em 2028, Requião Filho monitora os rumos do PDT

No próximo dia 27, o PDT fará uma convenção nacional para debater a possibilidade de federação, incorporação ou fusão com outras legendas
Foto: Rodolfo Buhrer
Foto: Rodolfo Buhrer

O PDT não conseguiu superar a cláusula de barreira nas eleições de 2026 e já começa a discutir o futuro político olhando para outras legendas que também não atingiram os critérios de desempenho nas urnas.

Está marcado para o próximo dia 27, logo após o 2º turno das eleições presidenciais, uma convenção nacional, marcada pelo presidente Carlos Lupi, quando será debatida a possibilidade de federação, incorporação ou fusão com outras legendas.

No radar do PDT estão o PSB, PSOL, Rede, PSDB, Avante, PRD e Solidariedade. Destes, só os tucanos e o PSB atingiram a cláusula de barreira.

Quem está especialmente de olho nos rumos que o PDT vai tomar é o deputado estadual Requião Filho. Não só pela questão partidária, mas pelo futuro político.

Requião Filho disputou o Palácio Iguaçu e terminou na terceira colocação com 1,4 milhão de votos — colocado em Sandro Alex (PSD) que teve 1,5 milhão de votos mesmo tendo toda a estrutura política.

A estabilidade eleitoral mantida durante toda a disputa pelo governo, afastando a ideia de um recall do sobrenome Requião, além do desempenho nas urnas em 26, o credencia para postular o posto de prefeito de Curitiba em 2028.

Cargo que ele já concorreu em 2016 e terminou em 5º lugar com apenas 52 mil votos. Agora, 10 anos depois, Requião Filho chegou aos 263 mil votos na capital. Para se ter uma ideia, Cristina Graeml, em 2024, foi para o 2º turno com 291.523 votos contra Eduardo Pimentel.  

Os números permitem que Requião Filho trabalhe para disputar o Palácio 29 de Março em 28. E este cenário já vem sendo estudado e desenhado.

Lula x Flávio

E o resultado do 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro pode interferir diretamente no sucesso dos planos de Requião Filho. A vitória de Lula vai significar uma sobrevida ao campo progressista e impulsionar prefeitos aliados do PT em 28.

Uma eventual derrota do presidente no 2º turno vai, necessariamente, forçar uma remodelagem da esquerda em todo o país — com a figura e liderança de Lula saindo de cena depois de mais de 50 anos.

A dúvida que se impõe é sobre a capacidade de novas lideranças aparecerem até o pleito municipal. Diferentemente da Direita, que tem nomes já prontos para substituir os Bolsonaros, a esquerda há décadas patina em torno de um sucessor de Lula.

Portanto, se Lula vencer o pleito de 26, a esquerda ganha mais quatro anos para tentar formar novas lideranças políticas que possam fazer frente ao cenário político atual.

Caso sofra revés nas urnas no próximo dia 25, o PT terá de iniciar à fórceps um processo profundo de reformulação sob pena de cair no ostracismo — mesmo diante da história e do gigantismo partidário.