A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) virou alvo de mais uma representação depois de dizer a também vereadora Vanda de Assis, do PT, que ela deveria “voltar para o Ceará”, acrescentando que havia vindo “encher o saco aqui”.
A fala foi durante a discussão sobre a criação de uma Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua, na sessão na Câmara Municipal de Curitiba de quarta-feira (5).
Tathiana Guzella foi eleita a menos de dois meses para a Corregdoria da Câmara — órgão responsável por acompanhar a conduta dos vereadores em relação às normas legais e regimentais da Casa.
Não é a única curiosidade. A vereadora do PL também não é nascida no Paraná. Ela é catarinense.
A parlamentar do PL é alvo de uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF) e nesta quinta-feira (6) dois advogados protocolaram uma representação na Câmara pedindo a abertura de procedimento disciplinar.
O documento, apresentado pelos advogados Lincoln Machado Domingues e Matheus Miranda Guérios, pede a aplicação da pena de perda de mandato por suposta quebra de decoro parlamentar.
Um dos motivos da iniciativa é que a mulher de Guérios é do Ceará e ficou ofendida com a declaração da vereadora Delegada Tathiana Guzella — que vai disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa nesta eleição.
Primeiro, Tathiana Guzella perguntou: “Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará?”, quando a petista respondeu que sim, a vereadora do PL então disparou:
“Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”.
Na avaliação dos advogados, as declarações extrapolam os limites do debate político e configuram ofensa motivada pela procedência da vereadora, caracterizando violação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba.
Sustentam ainda que a imunidade parlamentar não protege manifestações desvinculadas da atividade legislativa e que o uso da tribuna para ofensas pessoais representa abuso dessa prerrogativa.
Eles pedem que a Mesa Diretora receba e processe a representação, determine a juntada das provas, incluindo a gravação da sessão, e, ao final do procedimento, aplique à vereadora a penalidade de perda do mandato, conforme o Código de Ética da Casa.
Procurada pelo Blog Politicamente, a vereadora Delegada Tathiana Guzella não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.