O clima está pesado e tenso na secretaria de Desenvolvimento Sustentável comandada, há menos de 10 dias, pelo ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Um dos principais motivos é a quantidade de cargos em comissão da pasta e a consequente dificuldade de abrigar os aliados que o ajudarão no projeto de disputar o Palácio Iguaçu em 2026 — plano que ele tem feito questão de publicizar.
Se na prefeitura de Curitiba ele dispunha de cerca de 700 cargos para livre nomeação, na Sedest a realidade é bem diferente. E com poucos espaços, Greca tem provocado ruídos, caneladas e descontentamentos na equipe.
O ápice foi a tentativa, até aqui infrutífera, de tentar tirar Everton Souza do IAT (Instituto Água e Terra). O caso chegou até a Casa Civil que não gostou nada da iniciativa de Rafael Greca e mandou recado que Everton Souza permanecerá na função.
No entanto, existe um ar de apreensão já que até agora Everton Souza não foi renomeado pelo governador Ratinho Junior para o IAT. Dentro do governo, a avaliação do trabalho de Évertou Souza é positiva tanto quando ele conduzia o IAT quando nestes últimos meses como secretário de Desenvolvimento Sustentável.
As pessoas próximas de Rafael Greca comentam que quando o convite para integrar o governo foi aceito, o ex-prefeito teria plena autonomia na pasta. Já fontes palacianas garantem que não, que a negociação não passou pela assunção com porteira fechada.
Para tentar driblar a falta de cargos na secretaria, Greca tem adotado a seguinte estratégia: ele nomeia os aliados na Casa Civil que, por sua vez, os disponibiliza para prestar expediente na secretaria do Desenvolvimento Sustentável.
Foi assim com Lucas Navarro, eterno assessor e conselheiro de Rafael Greca, e com Juliana Cruz Lima, que foi assessora de gabinete na prefeitura de Curitiba. Os dois têm cargos na Casa Civil, cujos salários são mais atraentes, mas estão emprestados para trabalhar com Greca.
Nomeado oficialmente em Diário Oficial no dia 24 de março, Rafael Greca parece ter começado com o pé esquerdo. Um servidor, que procurou o Blog Politicamente, conta que a equipe do ex-prefeito promoveu algumas reuniões que acabaram causando mal-estar entre os colegas — “passando por cima de decisões já tomadas anteriormente por gestores de equipe”.
Ele relata que o clima está insustentável. “Sustentável só no nome da secretaria”.
Nesta queda de braço entre governo e Rafael Greca, por enquanto, o Palácio Iguaçu tem demonstrado mais força. Mas já tem gente pensando, caso esta corda seja esticada, em lotar Éverton Souza num cargo na secretária de Agricultura, comandada por Márcio Nunes.