Por Carol Nery
O ex-prefeito Rafael Greca (MDB) sinalizou alinhamento com a campanha de reeleição do presidente Lula (PT), em um discurso informal que circula nas redes sociais desde a noite desta segunda-feira (19), sobre o segundo turno das eleições presidenciais.
Na contramão do seu “ex-casca de bala” Sandro Alex e do grupo de Ratinho — derrotado nas eleições ao governo do Paraná e de uma liderança declaradamente apoiadora de Flávio Bolsonaro (PL) –, Greca não declara oficialmente o voto, contudo se mostra contrário a uma suposta submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos, a depender do resultado das urnas no dia 25. Este tema se tornou um dos principais pontos de debate entre opositores de um eventual governo de Flávio.
“Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil, e calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, para só servir aos que querem as nossas terras raras. Para só servir aos que querem lucrar com isso e encilhar o Brasil numa triste e desgraçada sina que será a de permanecer um império sub-reptício sul-americano”, declarou no vídeo gravado durante um encontro de gaiteiros.
Greca recorreu à tradição brizolista, ao se colocar ainda como um herdeiro do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, incluindo à lista Jaime Lerner, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, para destacar a importância da educação pública. Ele fala também sobre a continuidade de um projeto comprometido com a população mais vulnerável, além de mencionar riscos à cultura.
“O Lula já está dando no gasto, mas pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet”, afirmou. Eles não querem a música, eles não querem o financiamento da cultura, eles não querem museus, eles não querem universidades, eles não querem escolas públicas. O que é que eles querem? Eles querem acumular tesouros que a traça corrói e que o verme devora”, disse.
Apesar de ir contra o grupo que concorreu na chapa como vice-governador, o posicionamento de Greca não surpreende aos menos distraídos, já que, historicamente, Greca mantém pontes com alas progressistas, na defesa da cultura e da assistência social, ao mesmo tempo em que preserva uma agenda econômica liberal de atração de investimentos e inovação tecnológica.