Jantar de Moro com mais de 200 prefeitos marca o início de um novo momento no Paraná

O evento suprapartidário materializou o recado das urnas no 4 de outubro. É natural que as eleições mudem o ambiente político e a correlação de forças no Estado
Foto: Foto: Victor Coutant/Divulgação
Foto: Foto: Victor Coutant/Divulgação

O jantar no Madalosso organizado pelo governador eleito Sergio Moro em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro marca o início de um novo momento político no Paraná.

O evento suprapartidário materializou o recado das urnas no 4 de outubro. É natural que as eleições mudem o ambiente político e a correlação de forças no Estado.

Foi assim com o PFL de Jaime Lerner, MDB de Roberto Requião já na virada dos anos 2000, o PSDB de Beto Richa e mais recentemente com o PSD de Ratinho Junior.

Assistiremos muito em breve uma onda migratória para o PL que agora detêm o mando político no Paraná — com repercussão também no Novo e Podemos, legendas que caminharam ao lado do governador eleito.

Alguns partidos podem até perder representatividade, outros vão encolher beirando o ostracismo. O desafio de Moro será manter a grife PL em alta e isso passa invariavelmente pelo sucesso da gestão frente ao Palácio Iguaçu. Como fizeram os ex-governadores.

O recado dado no amplo salão do Madalosso, com cerca de 3 mil pessoas, sendo mais de 200 prefeitos, é um bom spoiler — mas que precisa ser corroborado com gestão. Moro deixa de ser pedra e a partir de 2027 passa a ser vidraça.

Depois de 10 dias do resultado das urnas, o momento é de lua de mel entre os aliados do ex-juiz da Lava Jato. Os derrotados no 4 de outubro ainda lambem as feridas e tentam entender a façanha do senador e o comportamento do paranaense.

Alguns “já tiraram” a cabeça para fora. E no evento do Madalosso subiram no palco. Uns demonstrando ainda um certo desconforto, outros já mais desenvoltos. Até porque, há 20 dias estavam comendo polenta em ato de campanha de Sandro Alex (PSD) no mesmo salão.

Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba, Tiago Amaral, de Londrina, ambos do PSD, Renato Silva de Cascavel que embora seja do PL vestiu a camisa do 55 de Sandro Alex, e outros, se juntaram ao novo team Moro no palco — cuja embaixadora parece ser a prefeita Elizabeth Schimidt, de Ponta Grossa, terra de Sandro Alex.

O prefeito da capital foi o único do PSD que discursou. Eduardo parabanizou publicamente Moro, Filipe Barros e Deltan Dallagnol pela eleição e destacou que o evento acolhe os prefeitos do Paraná em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. E prometeu trabalhar até o dia da eleição para ampliar a votação do candidato do PL no Estado.

WhatsApp Image 2026 10 14 at 11.10.31WhatsApp Image 2026 10 14 at 11.12.04

Prefeitos de cidades pequenas, que estavam na eleição contra Moro, lotaram o salão do restaurante. Um deles, chamou a atenção. Marcel Micheletto — prefeito de Assis Chateubriand. Não pelo fato de ter ficado na trincheira adversária.

Mas por ter se engajado tanto na campanha de Sandro Alex com discursos virulentos contra Moro — repetindo que o senador não conhecia o Paraná.

Numa postagem, ao defender o voto em Sandro Alex, chegou a dizer: “Quem vai trazer recursos para Assis, quem sempre trouxe ou quem vem aqui de quatro em quatro anos prometer, prometer e trazer migalhas?”. Sem falar na relação muito próxima, de amizade pessoal, com o governador Ratinho Junior.

Foi Marcel Micheletto um dos que liderou, por exemplo, a desfiliação de prefeitos do PL quando Flávio Bolsonaro anunciou que apoiaria a candidatura de Sergio Moro no Paraná. Num movimento para desidratar o PL — que acabou não surtindo o efeito esperado, já que a adesão não foi a esperada.

Marcel Micheletto, pelo jeito, virou a página da eleição numa rapidez que impressionou alguns palacianos que viram o prefeito no palco, tirando foto abraçado com Moro e publicando nas redes sociais.

O desempenho de Moro nas urnas na cidade comandada por Micheletto talvez explique a virada de chave tão rápida. Moro fez 51,47% contra 28,56% de Sandro Alex — candidato do prefeito.

Eleito em 2024 para o 1º mandato, Micheletto olha para 2028 e pensa na reeleição. E sabe que se Moro lançar um candidato em Assis, o prefeito pode ter sérias dificuldades. Engoliu o orgulho e foi ao jantar organizado por Moro.

“Unidos e em Paz”

De quebra, ainda “teve que aturar” a cutucada feita pelo senador eleito Filipe Barros que arrancou gargalhadas de muitos que estavam presentes. “Que me perdoe o pessoal do PSD. Mas nós aqui estamos Unidos e em Paz” — citando o slogan adotado na campanha de Sandro Alex.

Não espere coerência da classe política — independentemente da legenda. Mudam de partido e ideias como uma biruta ao vento. A expectativa de poder acaba por direcionar os movimentos políticos.

Antes de servir a polenta e o frango frito e acabar com o climão no palco, foi exibido um vídeo de Flávio Bolsonaro direcionado aos prefeitos e eleitores paranaenses.

Ele agradece os votos no 1º turno, fala sobre segurança pública, economia e convida para todos irem às ruas e as redes sociais. Afirmou que se for eleito será a primeira vez que o Paraná terá o governador e os três senadores do Estado alinhados com a presidência da República.

Governador Ratinho

Flávio não fez nenhuma citação ao atual governador Ratinho Junior, aliado da família Bolsonaro de pleitos passados, que na semana passada conversou por telefone com o presidenciável para declarar apoio no 2º turno.

Antes da conversa, porém, Flávio se atualizou com o PL do Paraná sobre o clima com o Palácio Iguaçu. Ouviu o atual governador e agradeceu o apoio.

Ratinho deve retornar das férias nesta quarta-feira (14). A avaliação, após o jantar suprapartidário, é que ele pode ajudar Flávio, principalmente convencendo o pai, o apresentador Ratinho, a gravar vídeos direcionados ao eleitor do Nordeste, de apoio ao candidato do PL. Já que no Paraná o presidenciável agora tem Sergio Moro — eleito no 1º turno.

Se antes do pleito, Ratinho era cotado para assumir um posto num futuro governo de Flávio Bolsonaro, falava-se muito na direção-geral da Itaipu Binacional, agora o cenário parece mais rarefeito.