Por Carol Nery
Entre os 30 nomes no Paraná que saíram vitoriosos para a Câmara dos Deputados, o Delegado Francischini (PL) foi o único candidato a não usar nenhum centavo da verba pública do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
O parlamentar não recebeu nenhum recurso do fundo eleitoral da legenda por ordem do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que asfixiou financeiramente Francischini por uma mágoa que remonta ao ano de 2011.
Francischini foi relator do processo de cassação do mandato do então deputado federal Valdemar da Costa Neto no Conselho de Ética da Câmara, em 2011, envolvendo denúncias de propina em contratos no Ministério dos Transportes.
Na ocasião, ele votou pela cassação de Valdemar, mas a ação acabou arquivada e num ato de protesto, Francischini apareceu com uma vassoura em punho no plenário da Casa para protestar.
15 anos depois, agora como comandante do PL, Valdemar da Costa Neto foi à forra e zerou o caixa de Francischini para a eleição. Ele fez toda a campanha com R$ 295,7 mil — recursos que vieram de amigos e do próprio bolso.
E não parou por aí. Durante toda a campanha, a propaganda eleitoral de Francischini apareceu apenas três vezes no rádio e na TV.
Apesar de toda a dificuldade, Francischini se elegeu para a Câmara Federal. E não foi só ele. O filho, Felipe Francischini (Podemos), também conquistou a vaga de federal — numa situação inédita de pai e filho atuarem numa mesma legislatura. A esposa, Flávia Francischini, foi reeleita para a Assembleia Legislativa.
Além do discurso contra o presidente Lula, que ajudou na eleição, Francischini teve a ajuda decisiva de Sergio Moro — governador eleito. Antes da decisão de asfixiar financeiramente o candidato, Valdemar chegou a pedir ao PL do Paraná que não lançasse a candidatura de Francischini.
Foi quando Moro interveio e garantiu a candidatura de Francischini — que volta ao cenário político.