Só sete ex-secretários do governo Ratinho Júnior se elegeram

Dos cerca de 20 aliados de Ratinho, que apostaram na força política e na popularidade do governador, apenas sete se elegeram
Foto: Arnaldo Alves / AEN.

Os resquícios eleitorais seguem atormentando alguns palacianos que se debruçam sobre os resultados do time 55 de Ratinho Junior, buscando explicações e culpados.

Os dados das urnas mostram que dos ex-secretários da gestão Ratinho, que apostaram na força política e na popularidade do governador, e foram às urnas, apenas sete conseguiram se eleger. É menos da metade — sem falar nos aliados mais próximos, que também não tiveram sorte.

Beto Preto, que comandou a Saúde do estado nas duas gestões do PSD, foi quem desempenhou melhor.

Beto Preto foi o governista mais votado para a Câmara Federal. Com o slogan “o 01 do governador”, o ex-secretário de Saúde obteve 177.032 votos, sendo o quinto federal mais votado do Paraná e o principal nome do PSD paranaense na disputa.

Leonaldo Paranhos, que foi prefeito de Cascavel e no segundo governo assumiu a pasta do turismo, teve quase 100 mil votos, assim como Leandre Dal Ponte, com 90 mil, que chefiou a secretaria da Mulher de Ratinho.

Luizão Goulart que migrou para o PSD e depois de disputar a prefeitura de Curitiba, em 2024, assumiu a pasta da Administração, alcançou 63,4 mil votos e conseguiu uma cadeira.

Para a Assembleia Legislativa, apenas três ex-gestores de Ratinho conseguiram sucesso nas urnas — sendo que dois deles foram reeleitos. Márcio Nunes, que passou pelas secretarias do Desenvolvimento Sustentável, Turismo e, por fim, a da Agricultura obteve 119 mil votos — o melhor desempenho dentro do PSD.

Ulisses Maia, que depois de governar a cidade de Maringá virou secretário de Planejamento de Ratinho Junior, teve 56 mil votos e garantiu uma cadeira na Assembleia. O último ex-secretário eleito foi Do Carmo, que comandava a pasta do Trabalho.

Ele, que era do Podemos, contrariou a decisão do partido de apoiar Sergio Moro,seu desafeto público, e decidiu fazer campanha para Sandro Alex. Nesta eleição, ele obteve 83 mil votos — desempenho melhor do que em 2022 quando teve 53 mil.

Os que tentaram, mas não chegaram lá

Os eleitos param por aí. Alex Canziani, que foi secretário da Inovação e Inteligência Artificial, disputou uma vaga na Alep, mas acabou de fora. O seu antecessor na secretaria, o atual deputado estadual Marcelo Rangel também não conseguiu votos para uma cadeira na Câmara Federal.

Assim como os ex-secretários de Indústria e Comércio, Marco Brasil, que migrou do PP para o PSD, e Rogério Carboni (MDB) que chefiava a pasta da Família, não tiveram sorte na urna e acabaram de fora.

O presidente do Detran Paraná, Santin Roveda (União), teve o mesmo destino. Os 52.776 votos não foram capazes de garantir uma cadeira em Brasília — apesar da propaganda de ter sido o responsável por baixar a alíquota do IPVA no Paranáe do vídeo de apoio gravado na reta final com o apresentador Ratinho.

Helio Wirbiski, que comandou a secretaria do Esporte e teve destaque na coordenação do Verão Maior, não obteve votos suficientes para chegar a Assembleia Legislativa.

Além de ex-sceretários, pessoas muito próximas a Ratinho também ficaram pelo meio do caminho. Darlan Scalco, chefe de gabinete do governador, teve 30 mil votos na corrida por uma cadeira na Câmara Federal.

Desempenho parecido com o que teve Lucio Mauro Tasso, subchefe da Casa Civil, e muito próximo também do apresentador Ratinho, que teve 29.587 votos e ficou sem lugar na Assembleia Legislativa.

E olha que o governador mexeu nos planos da deputada Cloara Pinheiro, pedindo para que ela fosse a federal, para ajudar Lúcio Tasso… Os dois acabaram de fora.

Júnior Weiller (MDB), que já passou pela Superintendência Geral de Apoio aos Municípios (SAM), subordinada à Casa Civil, e presidiu a Associação dos Municípios do Paraná (AMP), fez 39 mil votos, mas não foram suficientes para chegar a Alep.

Quem também disputou uma cadeira na Alep foi Bihl Zanetti, que foi diretor da Sanepar. Ele fez 36 mil votos e também ficou de fora.

A maior esperança e a zoação

A lista dos que “não foram”, termina com os dois ex-secretários com mais destaque e esperança de eleição.

Sandro Alex, que foi secretário de Infraestrutura e Logística, e Rafael Greca, ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável, concorreram ao Governo do Estado, mas foram superados por Sergio Moro no domingo 4 de oututro.

Talvez o desempenho nas urnas explica um pouco o péssimo e pesado clima que se instalou no Palácio Iguaçu — na segunda-feira de ressaca eleitoral. Quem pode, desligou o celular e ficou em casa lambendo as feridas.

Um gaiato do Centro Cívico, de oposição à gestão Ratinho Junior, aproveitou o resultado das urnas para tirar um sarro com quem não conseguiu um mandato: “O Governo do Paraná vive uma situação de pleno emprego. Tem muita vaga nas Agências do Trabalhor”.