Por Carol Nery
As urnas desenharam uma nova configuração de forças para representação do Paraná na Câmara dos Deputados. Com 30 cadeiras em jogo, o resultado combina o crescimento de novas lideranças da direita, a resiliência da oposição de esquerda e uma expressiva movimentação de peças que provocará uma “dança das cadeiras” na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Se houvesse um troféu de maior surpresa destas eleições, ele seria entregue ao Partido Novo. Puxado pelo advogado criminalista Jeffrey Chiquini, estreante na política e mais votado do estado com impressionantes 424.814 votos, seguido de Guilherme Kilter (269.554 votos), o partido abocanhou quatro cadeiras e somou mais de 800 mil votos nominais na disputa federal.
O Novo entrou na disputa de 2026 sem representação paranaense na Câmara Federal e vai começar 2027 com quatro cadeiras — mesmo número de vagas conquistadas pelo PSD de Ratinho e o PP de Ricardo Barros.
PT e PL cravaram um empate com cinco vagas cada. PL mantém sua força conservadora ancorada no Sargento Fahur (242 mil votos) e na deputada Rosângela Moro (146 mil).
O PT, que manteve o número de cadeiras frustrando exectativas mais otimistas, garante forte representatividade com renovação interna, impulsionada por votações de expressão como a de Ana Júlia (184 mil) e o mandato de Zeca Dirceu (158 mil).
Combinados, os partidos de centro e centro-direita (PP, PSD, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos) continuam formando a espinha dorsal governista e regional, garantindo que cerca de 80% da bancada paranaense permaneça alinhada a pautas de centro-direita e conservadoras.
Força dos prefeitos e retornos a Brasília
A nova bancada também reflete o peso do poder municipal. A transição da gestão de grandes polos do interior do estado para o Congresso rendeu vitórias expressivas a ex-prefeitos, como Paranhos (PSD), em Cascavel, e Marcelo Belinati (PP), em Londrina, ambos garantindo suas vagas em Brasília.
O pleito marca ainda o retorno à capital federal de figuras bem conhecidas da política paranaense, como o atual vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), o Delegado Francischini (PL) e Luizão Goulart (PSD).
Por outro lado, nomes tradicionais da política paranaense ficaram de fora da lista dos 30 eleitos para a próxima legislatura, como o ex-prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB), Beto Richa (PSDB), Roberto Requião (PDT), que não conseguiram se eleger.
Os três sofreram do mesmo mal: a formatação de uma chapa fraca, sem sustentação eleitoral que pudessem garantir pelo menos uma cadeira.
Efeito dominó na Alep
A vitória de parlamentares estaduais na corrida pela Câmara dos Deputados sacode a dinâmica no Palácio 19 de Dezembro e a atual oposição ao governo estadual será a mais impactada.
A bancada do PT na Alep ganha duas novas cadeiras, mas perde de uma só vez três dos seus nomes de maior apelo popular e poder de debate: Ana Júlia, Renato Freitas e Arilson Chiorato.
A mudança forçará uma recomposição e reconstrução da frente progressista na Alep com os novos representanets do campo progressista.
Dos remanescentes, estão Professor Lemos, que herdou muitos votos com as dobradas montadas, e Dr. Antenor, que sofreu para renovar o mandato. Vireram para reforçar a bancada: Miss Preta, Yasmin Hachem, o vereador de Curitiba Angelo Vanhoni, Beto Vizzotto e Mario Verri.
Na ala conservadora, a saída de Ricardo Arruda (PL) para Brasília retira do Plenário da Assembleia uma das vozes mais contundentes do bolsonarismo no estado, abrindo espaço para Jessicão, vereadora de Londrina, que talvez assuma o posto.
O PL de 2022 elegeu cinco estaduais, chegou na janela partidária em 26 com 12 deputados e vai iniciar 2027 com 14 representantes. O destaque foi Paulo Melo, que teve o apoio de Nikolas Ferreira, e se sagrou o campeão de votos.
A ele se somam a vereadora de Curitiba, Delegada Tathiana Guzella, que saltou para a Alep, Emerson Bacil, que retorna à Casa, e o jovem Ricardo Zampieri.
Os que conseguiram renovar os mandatos são Delegado Jacovós, Denian Couto, Matheus Vermelho, Mauro Moraes, Gilberto Ribeiro e Paulo Gomes. Quem ficou de fora do PL foi Gilson de Souza — que acabou na suplência.
Além da Alep, a representação municipal da capital também sofre alterações com a ida do vereador Guilherme Kilter para Brasília, segundo mais votado entre os eleitos deputados federais, abrindo vaga na Câmara Municipal de Curitiba. Além do vereadores Ângelo Vanhoni, Delegada Tathiana, Da Costa e Jasson Goulart.
Câmara Federal
| Partido | Cadeiras Eleitas | Destaque do Partido |
| PL | 5 | Sargento Fahur |
| PT | 5 | Ana Júlia |
| NOVO | 4 | Jeffrey Chiquini |
| PP | 4 | Ricardo Barros |
| PSD | 4 | Beto Preto |
| Podemos | 2 | Felipe Francischini |
| União Brasil | 2 | Delegado Matheus Laiola |
| Republicanos | 2 | Pedro Lupion |
| PV | 1 | Aliel Machado |
| MDB | 1 | Sergio Souza |
Assembleia Legislativa
| Partido | Cadeiras Eleitas | Destaque do Partido |
| PL | 14 | Paulo Melo e Jessicão |
| PSD | 8 | Márcio Nunes |
| PT | 8 | Professor Lemos |
| PP | 6 | Maria Victória |
| Republicanos | 3 | Ney Leprevost |
| Podemos | 3 | Do Carmo |
| Novo | 3 | Bruno Secco |
| MDB | 2 | Anibelli Neto |
| PDT | 1 | Goura |