Na reta final, campanha de Sergio Moro tenta impugnar três pesquisas

Campanha de Sergio Moro busca impugnar a pesquisa dos institutos Radar, IRG e Real Time Big Data -- marcadas para sair nas próximas 48h
Campanha de Sergio Moro barra divulgação de pesquisa prevista para dia 16
Sergio Moro (PL). Foro: Roque de Sá/Agência Senado

A campanha de Sergio Moro entrou com três pedidos junto a Justiça Eleitoral para impugnar a pesquisa dos institutos Radar, IRG e Real Time Big Data — marcadas para sair nas próximas 48h.

Um deles, diz respeito à pesquisa do IRG — prevista para sair nesta sexta-feira (2) com a disputa pelo Palácio Iguaçu. Os advogados do candidato do PL citam que o instituto vem “repedindo o plano amostral desde junho deste ano com o sorteio probabilístico dos municípios, sorteio probabilístico das localidades pelo mesmo método e, só então, seleção do entrevistado por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda”.

“É a sexta vez, em quatro meses, que a representada (IRG) registra esse mesmo plano para o eleitorado paranaense”, pontua. O que a campanha de Moro busca são as informações sobre a lista de municípios e localidades sorteadas e a distribuição real da amostra. “O que se pede é que uma pesquisa cujo registro descreve um método que a própria empresa declara não praticar não seja levada ao eleitorado paranaense a quarenta e oito horas da eleição sem que antes se saiba onde foi feita”.

Argumento semelhante foi usado na ação para suspender a divulgação da pesquisa Radar. Os advogados argumentam que a coleta é domiciliar e presencialo que pressupõe que o instituto tenha uma lista desses municípios e localidades antes mesmo de ir a campo. “Não há impossibilidade, técnica ou prática, de indicar municípios e bairros; há a decisão de não os indicar”.

O outro pedido é para tentar barrar a divulgação da Real Time Big Data. A campanha de Moro sustenta, dentre outras coisas, a falta de identificação de quem paga, a fonte pública e a descrição do plano amostral, a metodologia e o sistema de controle. E até a margem de erro da pesquisa está sendo questionada.

“Esta Corte já considerou que o campo de pagante em branco, somado à origem genérica dos recursos, compromete a transparência que a norma exige e justifica a suspensão da divulgação até o esclarecimento”, pontuam, citando ainda que “quem encomendou a pesquisa e quem a executa são, na prática, a mesma pessoa, agindo por duas sociedades que dirige”.

O argumento é quanto a supressão do nome de Deltan Dallagnol (Novo) como candidato do Novo ao Senado em um dos cenários estimulados. A equipe do PL sustenta que Deltan teve o registro requerido, por ordem do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) e aguarda o julgamento de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não tendo, portanto, motivo para retirar o nome do candidato do Novo da pesquisa eleitoral.

“O Tribunal Superior Eleitoral reafirmou essa orientação em comunicação oficial de 20.07.2026, ao informar que as pesquisas que apresentarem lista de candidatos aos eleitores devem trazer os nomes de todas as candidaturas registradas para o cargo, e que a exclusão de candidato com registro indeferido, cancelado ou não conhecido só é admitida depois de cessada a condição sub judice“.

Afirma ainda que o fato de divulgar, a dois dias da eleição, “um resultado construído sobre a premissa de que ele não concorre é comunicar ao eleitorado uma expectativa de exclusão que a Justiça Eleitoral não declarou, numa eleição em que cada eleitor escolhe dois nomes e em que a redistribuição dos votos entre os demais concorrentes é justamente o que o cenário pretende mostrar”.

Chama a atenção também, no pedido formulado pela campanha do PL, o questionamento sobre a falta do nome dos vices acompanhados dos candidatos ao Governo do Paraná.

 “A omissão não é indiferente. O eleitor que recebe a lista sem os vices decide sobre uma chapa que não é a que encontrará na urna, e a composição da chapa é, nesta eleição, dado relevante da escolha: o candidato a Vice da chapa adversária da Representante é ex-Prefeito da Capital, e a supressão de seu nome altera a informação com que o entrevistado responde”.

O pedido, para incluir o nome dos vices, talvez guarde relação direta com as recentes manifestações do candidato ao Governo, Sergio Moro, de que Rafael Greca, vice de Sandro Alex, estaria, segundo o candidato, pedindo votos para o presidente Lula. A estratégia então seria incluir o nome de Greca para, quem sabe, atrair no eleitorado pesquisa pela Real Time uma rejeição — uma vez que o petista tem rejeição alto no Paraná.

Pedido negado

O Blog Politicamente apurou que houve ainda um quarto pedido de impugnação — referente a pesquisa Alfa Inteligência. Este, diferente dos demaism, já foi julgado. A desembargadora eleitoral Cláudia Cristofani autorizou a divulgação da sondagem eleitoral.

A equipe jurídica de Moro afirmou existir irregularidades no registro e na metodologia da pesquisa, como inconsistências na identificação dos municípios pesquisados em levantamentos anteriores da representada. E assim como no pedido da Real Time questionou a ausência dos nomes dos candidatos a vice-governador no questionário.

A magistrada chegou a deferir temporiamente a suspensão da divulgação até que o instituto apresentasse esclarecimentos.

“Os esclarecimentos prestados e os documentos juntados indicam que o registro contém os elementos mínimos exigidos pela resolução-TSE nº 23.600/2019, não se evidenciando, em juízo de cognição sumária, irregularidade capaz de comprometer sua regularidade ou impedir a divulgação”.