Cristina Graeml usa vídeo de Deltan para tentar pegar voto do eleitorado do ex-procurador 

Enquanto patina nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, Cristina Graeml usa vídeo do adversário Deltan Dallagnol para tentar pegar voto do adversário
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Atualizado às 19h40 

A controversa estratégia de Cristina Graeml (PSD) de usar um vídeo do adversário Deltan Dallagnol (Novo) em benefício próprio não pegou nada bem — nem no QG do candidato do Novo, nem na classe política. Até correligionários criticaram a candidada do governo.

A equipe de Cristina Graeml pegou um vídeo publicado por Deltan, na rede social dele, em que o ex-procurador da Lava Jato enumerava qualidades que os eleitores do Paraná deveriam, na visão dele, considerar na hora de escolher um candidato ao Senado Federal.

Cristina Graeml republicou na rede dela o vídeo do adversário — mudando o sentido. Enquanto Deltan enumerava as qualidades, aparecia a imagem de Cristina. Como se Deltan estivesse indicando a candidata do PSD ao eleitor.

Num dos trechos do vídeo original, Deltan dizia que o “Senador precisa tem as mãos limpas, sem corrupção, e a mãos livres, sem rabo preso”. Em outro trecho, bradava: “Quero um senador que combata a corrupção, que combata aos abusos”.

Na versão de Cristina, uma “figurinha” com a imagem dela surge dentro de uma “nuvem de pensamento” sobre a cabeça de Deltan, como em uma história em quadrinhos. Como se Deltan, enquanto falasse, estivesse pensando em Cristina Graeml. Ao incluir imagens dela durante a fala de Deltan, Cristina afirma que ela atende aos predicados.

A releitura do vídeo originalmente feito por Deltan recebeu ainda escritos na tela como “Quem é Deltan, é Cristina” e “Quem pensa como Deltan vota na Cristina”, além de exibir foto, nome e número de urna de Cristina.

Deltan chegou a entrar com uma ação na Justiça Eleitoral alegando que Cristina Graeml havia veiculado “propaganda eleitoral irregular mediante montagem e descontextualização”, pedindo liminarmente para que a postagem não fosse mais exibido e nem compartilhado, e que fosse determinada a imediata remoção do referido vídeo.

A juíza auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Sandra Bauermann, negou o pedido de Deltan ao entender que não houve manipulação do vídeo e sim uma estratégia de marketing eleitoral que se aproveitou do discurso público de Deltan “no âmbito da valoração política e do debate eleitoral, com um tom cômico e bem-humorado”.

“O exame da mídia demonstra que não há alteração fraudulenta da fala do representante nem imputação de afirmação falsa sobre fato determinado”.

“Ao contrário, utiliza-se falas verdadeiras do representante em um enquadramento de publicidade com viés satírico, sem contudo alterar a essência do fato ou fabricar mentira apta a comprometer a higidez do pleito”.

A estratégia da candidata de Ratinho é bastante clara. Enquanto patina nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, Cristina Graeml tenta colar sua imagem a de Deltan Dallagnol — que aparece na ponta das sondagens eleitorais. Mesmo que para isso, seja preciso lançar mão de estratégias no mínimo questionáveis —  apesar de avalizada pela Justica Eleitoral.