A cinco dias da eleição, o eleitor paranaense poderá, enfim, assistir na noite desta terça-feira (29) a um debate de ideias e propostas dos três principais e mais bem ranqueados candidatos ao Palácio Iguaçu. Não espere, porém, muita diplomacia entre os concorrentes. O clima promete ser de muita tensão, nervosismo e até de cotoveladas.
É, ao mesmo tempo, uma oportunidade para que Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT)e Sandro Alex (PSD) coloquem suas estratégias em prática mirando, todos, o 4 de outubro. E, quem sabe, rompam com a mesmice vista desde a pré-campanha que mexeu muito ou quase nada com o eleitorado paranaense — refletida nas pesquisas de intenção de voto.
O encontro entre os concorrentes ao Governo do Paraná está marcado para a noite desta terça na RPC — afiliada da Rede Globo. Apesar do desinteresse cada vez maior do eleitor, não só do Paraná, em acompanhar debates e propagandas eleitorais na TV, os marqueteiros sabem que o compromisso desta noite pode definir o voto de muitos indecisos.
Ao mesmo tempo, pode resignificar os rumos da disputa pelo Palácio Iguaçu. Um erro, a esta altura da gincana eleitoral, pode custar caro. Moro, Requião Filho e Sandro Alex entram, portanto, cientes de que o desempenho, bom ou ruim, pode definir o resultado das urnas.
Como vão ao “ringue”?
Moro, que vai debutar nos debates eleitorais em 2026, chega a RPC consolidado na liderança de todas as pesquisas, há mais de um ano, e flertando com a possibilidade de vencer a eleição já no domingo — no 1º turno. Alguns intistutos de pesquisa lhe dão margem apertada para sonhar com a vitória no 4 de outubro. E uma nova ausência, poderia lhe custar alguns punhados de votos — o que inviabilizaria o projeto de 1º turno.
Ao mesmo tempo, o ex-juiz da Lava Jato sabe que entrará no estúdio global como alvo principal dos concorrentes. E um escorregão, um vacilo, uma pegadinha do concorrente, pode lhe custar o sonho de vencer no domingo. Moro deve usar o debate para mostrar ao eleitor que é o candidato de Flávio e da família Bolsonaro e, ao mesmo tempo, responder aos ataques que vem sofrendo — principalmente, da trincheira governista, de Sandro Alex.
Aliás, o “homem da infraestrutura” é quem deve confrontar Moro com mais frequência — até porque se ele pretende forçar uma disputa de dois turnos no Paraná, precisará tirar votos do candidato do PL para subir nas pesquisas. Votação em Flávio Dino, as contrações do Moro juiz com o Moro político serão, certamente, alguns dos questionamentos.
Sandro Alex deve, quase que a todo o momento, lembrar no debate que ele é o candidato do governador licenciado Ratinho Junior — dono de uma popularidade na casa dos 80%.
Apesar do latifúncio no tempo de rádio e TV, do apoio das máquinas públicas e de todo o esforço hercúleo que o marqueteiro Jorge Gerez vem fazendo nos programas eleitorais, a cinco dias do pleito ainda tem gente que nunca ouviu falar em Sandro Alex. Muito menos, que ele é o escolhido pelo popularíssimo Ratinho para sucedê-no no Iguaçu. Será uma vitrine e tanto.
Mas não será só bônus. Sandro terá também o ônus de defender o governo Ratinho. A privatização da Copel, o atendimento aos usuários e o aumento da conta de luz, por exemplo, será, certamente, um tema explorado ao longo do debate.
Ao mesmo tempo, Sandro não poderá perder de vista Requião Filho — com quem tem disputado a vaga num eventual 2º turno. Algumas pesquisas eleitorais colocam o pedetista à frente do “tocados de obras” do Iguaçu, outras invertem a posição e alguns intitutos apresentam os dois candidatos empatados. Por isso, será um olho no Moro e outro em Requião Filho.
Requião Filho, durante o debate, vai tentar comprovar a máxima que tem repetido em entrevistas, sabatinas e nos programas eleitorais: de que Moro não conhece o Paraná e que o Paraná não conhece Sandro Alex. O pedetista deve explorar, principalmente, as relações de Moro com a família Bolsonaro e confrontar Sandro Alex sobre pedágio, investimento em saúde, filas para cirurgia… Temas que ele lidou como deputado de oposição na Assembleia Legislativa nos quase oito anos da gestão Ratinho.
Ao mesmo tempo, será instado pelos adversários a fazer a defesa do governo do pai, o ex-governador Roberto Requião, mas, principalmente, terá de explicar, talvez por mais de uma vez, a aliança com o presidente Lula — que goza de índices baixos de aprovação junto ao eleitor do Paraná.
Bala de prata
A cinco dias da abertura das urnas, ninguém descarta uma tentativa de disparo da famosa “bala de prata” durante o debate da RPC. Estratégia tão típica e ameaçadora na reta final das campanhas eleitorais.
Sergio Moro, Requião Filho e Sandro Alex estarão pelo primeira vez juntos debatendo o Paraná. E um “tiro certeiro” no adversário pode estragar os planos eleitorais — já que o tempo de resposta é extremamente exíguo. O estrago, porém, vai depender da quantidade de pólvora manuseada pelo candidato.
É bom lembrar aos três concorrentes e seus estrategistas e marqueteiros políticos que o eleitor parananese não é lá muito afeto aos candidatos raivosos. Por isso, terão de andar na linha da navalha.
Podem, eleitores, anotar e me cobrar depois: tanto Moro, quanto Sandro e Requião sairão da sede da RPC se autointitulando vencedores do debate. Estratégia esperada – principalmente, nas redes socias.
Até domingo, teremos pesquisas de intenção de voto que vão conseguir captar o sentimento do eleitor quanto ao debate eleitoral da RPC, mas os verdadeiros vencedores serão conhecidos no domingo 4 de outubro. Um dos três ou até dois ficarão pelo meio do caminho. Com a palavra, digo, o voto, o eleitor do Paraná.