STF determina soltura de ex-procurador-geral do INSS preso em Curitiba por desvios de aposentadorias do INSS

Virgílio de Oliveira Filho, que negocia uma delação premiada, teve a prisão preventiva substituída por monitoração eletrônica. Ele é investigado num esquema de desvio de mais de R$ 6 bilhões de aposentadorias do INSS
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Por Carol Nery
O ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, que negocia uma delação premiada, teve a prisão preventiva no âmbito da Operação Sem Desconto substituída por monitoração eletrônica e outras medidas cautelares, após reavaliação do Supremo Tribunal Federal (STF) com o avanço das investigações.
Virgílio é um dos investigados em um esquema de desvio de mais de R$ 6 bilhões de aposentadorias e pensões do INSS junto com ex-presidentes da entidade e parlamentares, e seria um dos principais beneficiários
Ele a esposa, a médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson, se apresentaram à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, após não serem encontrados pelos agentes da PF na residência durante o cumprimento dos mandados de prisão, que teve dez alvos no Paraná e em mais 13 estados, além do Distrito Federal, em 13 de novembro de 2025.

thaisa hoff

O casal é investigado pelo recebimento de quase R$ 20 milhões por meio de empresas e de contas bancárias, que estariam relacionados ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores no esquema criminoso de descontos irregulares em benefícios previdenciários.

Ao reavaliar a necessidade da prisão, o ministro André Mendonça considerou que a investigação atingiu um estágio substancialmente diferente daquele existente quando a preventiva foi decretada. Entre os elementos considerados está a conclusão das diligências relacionadas a Virgílio e a apresentação, em 10 de julho, do relatório final do inquérito policial correlato.

Na decisão, André Mendonça afirma que o avanço da investigação “diminui sensivelmente a necessidade da segregação física como mecanismo de proteção da atividade investigativa”. O ministro também reconheceu que “o grau e a natureza dos riscos atualmente identificáveis não reclamam mais a providência mais invasiva posta à disposição do Estado”.

O advogado Mauricio Moscardi Grillo, que defende Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho comemorou a decisão do STF.

“Recebemos com satisfação a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que revogou nesta terça-feira (8) a prisão preventiva de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. O resultado é fruto de um trabalho técnico construído com serenidade e persistência. Casos de elevada complexidade exigem exatamente isso: uma defesa qualificada e resiliente, atenta a cada detalhe do processo e comprometida com a busca da melhor justiça. Seguimos confiantes no devido processo legal e na apreciação isenta dos fatos pelo Poder Judiciário”, afirma Grillo.

Virgílio é proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas

Além de monitoração por tornozeleira eletrônica e os deslocamentos limitados ao município onde reside, Virgílio está proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas da Operação Sem Desconto, de frequentar entidades associativas com as quais tenha mantido relação e de acessar instalações do INSS ou da Dataprev. Ele deverá, ainda, entregar o passaporte e não poderá deixar o país.
O ministro desconstituiu outra ordem de prisão preventiva contra Virgílio. O alvará de soltura deverá ser expedido após a instalação da tornozeleira e a ciência formal das medidas cautelares impostas.
Já Thaisa Hoffmann Jonasson se mantém em prisão domiciliar, concedida pelo STF em 2025, por ser mãe de criança menor de 12 anos.