Zé da Bíblia ressucitou na manhã deste domingo. Assim como Jesus Cristo. Manir Ramalho de Oliveira, conhecido em Curitiba como Zé da Bíblia por circular com o livro sagrado em espaços públicos da cidade, especialmente no Centro Cívico, foi “morto” nas redes sociais no sábado.
O desmentido veio nesta manhã através de familiares, assustados com a repercussão. Rapidamente, uma avalanche de postagens se despedindo de Zé da Bíblia inundaram a internet. E tão rápido quanto, foram os movimentos para apagar as mensagens emocionadas. Sem prestar nenhuma explicação. Simplesmente deletaram como se nada tivesse acontecido.
O governador Ratinho Junior, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e muitos outros deputados, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca foram alguns personagens do Centro Cívico que caíram na fake news. Talvez não eles. Mas suas equipes. Alguém publicou e muitos republicaram sem checar a informação.
Ratinho escreveu: “Hoje nos despedimos de Manir Ramalho de Oliveira, o querido Zé da Bíblia, personagem tão conhecido e marcante de Curitiba”. A partir daí, muitos do seu time de secretários repostaram. Até alguns veículos de imprensa caíram. A mentira ia se tornando verdade nas redes sociais até que foi interrompida pelos familiares de Manir Oliveira.
Não se está aqui procurando culpados. Todos são passíveis de erros e retratações. O problema é muito maior. Zé da Bíblia foi, infelizmente, mais uma fake news que viralizou. E aqui reforça-se a necessidade do mantra dos combatentes das notícias falsas nas redes: “diante de uma notícia duvidosa na rede social, você não deve repassá-la. Primeiro, pare e verifique a veracidade da informação em sites de checagem confiáveis”.
O recado é importante, principalmente, em tempos de eleição, quando as “bombas” contra candidatos saem em perfis duvidosos e rapidamente a tropa é acionada para republicar.
Talvez Alexandre de Moraes e Flávio Dino estejam mesmo certos. É preciso rever o diploma de jornalista diante da avalanche de “notícias” nas redes sociais. Pena que os ministros estão focados não na profissão jornalística, mas nas fontes que denunciam casos envolvendo, especialmente, autoridades da Suprema Corte. Num sentimento de puro revanchismo contra aqueles que ousam apontar o dedo, muitas vezes com provas, contra os intocáveis ministros do Supremo Tribunal Federal.
Mas voltando ao nosso quintal, Zé da Bíblia está vivo. O Blog Politicamente não conversou com familiares deles — como, por exemplo, outros veículos fizeram. Mas o nome de Manir Ramalho de Oliveira não está na lista de 63 pessoas do serviço funerário municipal de Curitiba — que informa os falecimentos na capital.
Assim como Jesus Cristo, que apareceu aos discípulos após a ressurreição, Zé da Bíblia deve voltar ao Centro Cívico na manhã desta segunda-feira levando as mensagens religiosas e políticas. Neste caso, o “luto” passou rápido. Era só mais uma fake news. E em tempo digital, o “Erramos”, aprendido nos bancos da faculdade, ficou esquecido.