A preocupação de prefeitos quanto às muitas obras prometidas se materializou

Sandro Alex, candidato de Ratinho, pode sofrer com a insatisfação de prefeitos pelos convênios prometidos, mas não cumpridos

Prefeitos do Paraná estão apreensivos com o cenário que se avizinha. Muitas das obras prometidas por Guto Silva, quando este era secretário da Cidades e então pré-candidato ao Palácio Iguaçu, podem ficar só no papel. E nas redes sociais. E nem adianta bater na porta de Fernando Giacobo, que assumiu a Secid, que ele pouco ou nada pode fazer diante de uma imensidão de promessas.

A preocupação de centenas de prefeitos se materializou após a audiência do secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, na Assembleia Legislativa. Ortigara foi muito claro e objetivo: por conta das restrições do ano eleitoral, muitos convênios e promessas de obras ficarão pelo meio do caminho — pelo menos neste curto prazo. Tudo que a prefeitada não queria ouvir.

“A obra que não tiver com a primeira medição em 4 de julho, o convênio não pode andar com transferência de recursos por parte do Estado”.

A poucos dias de junho, não é nada crível pensar que os convênios entre as prefeituras e Estado serão assinados, que a licitação saia, que o canteiro de obra seja instalado para, enfim, realizar a medição para liberação do recurso. Alguns prefeitos ouvidos pelo Blog Politicamente reclamam da morosidade da tramitação dos convênios estartados, relatando que já comprometeram recursos do escasso cofre do município.

Há quem diga no Centro Cívico que está em curso uma “operação tartaruga” motivada pelo volume de recursos prometidos que não encontram lastro no tesouro do Estado. A Secretaria da Fazenda se quer sabe quantificar com precisão o volume de obras e recursos prometidos.

A equipe da Fazenda deixa o eventual desgaste político de lado para se concentrar na missão de encontrar saídas tendo como foco a obediência intransigente à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) — tudo para que não haja qualquer sanção desta natureza ao governador Ratinho Junior após a conclusão da gestão.

Além da questão financeira, há também um outro temor: o de natureza política. Qual será a reação dos prefeitos a partir de 5 de julho quando se derem conta que os recursos prometidos não virão?

O que farão com os muitos story`s e postagens que fizeram nas redes sociais anunciando com pompas investimentos não entregues? São algumas das respostas que já estão sendo pensadas para justificar de alguma forma a insatisfação que se avizinha.

Mais que isso. O grande receio é que este desgosto recaia sobre Sandro Alex — o escolhido por Ratinho para disputar o governo como sucessor — e atrapalhe os planos eleitorais.

Novas promessas virão, salienta um analista político de cabeça branca que transita com desenvoltura pela sede do Executivo. A dúvida é se a prefeitada vai apostar novamente no discurso palaciano ou se vai começar a buscar novos aliados para a disputa de 26.

O cenário político em julho, medido por pesquisas de intenção de voto, deve definir os movimentos da prefeitada. Muitos vão pensar de forma pragmática e vão em busca da perspectiva real de poder.

Ou seja, se Sandro Alex não estiver bem ranqueado quando o 5 de julho chegar, os aliados de hoje poderão ser vistos nas trincheiras adversárias.

O contrário é absolutamente verdadeiro. Se o “homem da infraestrutura” estiver em boas condições eleitorais, os prefeitos vão apostar que os convênios e obras prometidos por Guto Silva virão no futuro governo do sucessor.

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