Os diretórios do PL e do Novo do Paraná encaminharam uma notificação extrajudial nesta quinta-feira (23) para a Quaest Consultoria solicitando a imediata correção do questionário que já está sendo aplicado aos eleitores do Paraná. Um dos pedidos é a retirada do nome de Paulo Martins (Novo), atual vice-prefeito de Curitiba, do rol de pré-candidatos ao Governo do Paraná.
A Quaest começou as entrevistas com 1.104 paranaenses na terça-feira e a coleta se estende até o próximo sábado, com divulgação prevista para segunda-feira (27). O PL e o Novo apontam quatro erros materias relevantes que podem comprometer “a aderência entre o cenário político efetivamente existente e o cenário artificialmente apresentado aos entrevistados, com evidente potencial para provocar distorções no resultado final do levantamento”.
Além da presença do nome de Paulo Martins como opção ao eleitor na disputa pelo Iguaçu, os partidos apontam ainda que a Quaest errou a vincular Alexandre Curi ao PSD num dos cenários para o Senado Federal — considerando que o presidente da Assembleia Legislativa se filiou ao Republicanos; e que a pesquisa tem como objeto a disputa pelo governo do Paraná e Senado, mas mantém no questionário perguntas sobre a corrida presidencial, cuja competência de registro é específica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por fim, o Novo de Deltan Dallganol e o PL de Moro ainda pontuam que o instituto testa o nome de Pedro Lupion (Republicanos) como candidato ao Senado, sendo que ele já teria assumido que vai disputar a reeleição para a Câmara Federal.
Diante dos erros elencados, cita o advogado Leandro Rosa, a notificação extrajudial pede as devidas correções no questionário e que a Quaest se abstenha de divulgar a pesquisa, “enquanto não sanadas as inconsistências ora apontadas”. Requer, por último, que o instituo encaminhe, por escrito, a “confirmação do cumprimento integral da notificação, com a indicação objetiva das providências concretamente adotadas”.
As teorias em torno de Paulo Martins
O ponto que mais chama a atenção no questionário da pesquisa Quaest é, de fato, a inclusão do nome de Paulo Martins dentre as possibilidades para disputar o governo do Paraná. PL e Novo do Paraná anunciaram em Brasília uma aliança para o pleito de 2026 — na presença de Flávio Bolsonaro, inclusive com a divulgação da chapa que vai enfrentar as urnas.
É bem verdade, no entanto, que as alianças só são ratificadas no período das convenções partidárias — que abre no dia 20 de julho e vai até 5 de agosto. Ou seja, até lá tudo pode mudar e as conversas e costuras políticas que acontecem no Paraná e Brasília podem ter consquencias no rearranjo das forças e alianças políticas.
Logo quando a Quaest registrou o levantamento, começaram a surgir teorias da conspiração no Centro Cívico. O fato do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, manter, por exemplo, a pré-candidatura presidencial, contra Flávio Bolsonaro, fez com que alguns pudessem imaginar uma ruptura no Paraná. O PSD de Ratinho Junior, por exemplo, poderia tentar repatriar o Novo para o arco de aliança.
Teve gente cogitando também a possibilidade de que Ratinho pudesse substituir o candidato à sucessão, caso Sandro Alex, recém-anunciado pelo PSD, não decole nas pesquisas de intenção de voto até o período convencional. Dentro desta corrente de pensamento, o governador poderia lançar Paulo Martins — que é amigo pessoal da família Massa.
Até porque o cenário aventado pela Quaest com Paulo Martins exclui Sandro Alex colocando o vice-prefeito da capital numa disputa com Moro, Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB), Luiz França (Missão) e Tony Garcia (DC).
Na trincheira de Sergio Moro, uma das probabilidades aventadas foi sobre uma possível diluição do voto bolsonarista — já que Paulo Martins “conversa” com os eleitores e apoiadores do ex-presidente de Jair Bolsonaro, podendo, assim, “roubar” votos do ex-juiz da Lava Jato, fazendo com que o percentual de votos do senador caísse.
Por via das dúvidas e para que não pairem tais teorias conspiratórias, PL e Novo resolveram pedir alterações no questionário — o que deve provocar um adiamento na divulgação dos dados sobre a corrida pelo Palácio Iguaçu e pelas duas cadeiras ao Senado Federal, já que o caderno de pesquisa já aplicado terá de ser descartado e refeito.