Ratinho Junior e Cristina Graeml se reuniram neste fim de semana. Sob os olhares de poucas testemunhas, ficaram por cerca de duas horas conversando sobre o cenário político eleitoral do Paraná.
Depois das sondagens com o staff do governador, dias antes, era hora de tratar diretamente com Ratinho Junior. Pessoas próximas a Cristina não quiseram comentar sobre a reunião, mas fontes do Blog Politicamente garantem o encontro.
Não é segredo para ninguém, que Cristina Graeml tem se reunido com diversos dirigentes partidários do Estado para conseguir viabilizar a candidatura ao Senado Federal — desde que Sergio Moro deixou o União Brasil para se filiar no PL. E a reunião com Ratinho tinha este objetivo, abrir uma vaga na chapa do PSD para a jornalista. A depender da formatação, ela topa a aliança para 26.
Mas este não foi o único assunto. Ratinho Junior sondou Cristina Graeml para a possibilidade dela ser a vice na chapa do Palácio Iguaçu. Mas vice de quem? Essa parece que nem o governador sabe responder ainda, mas, invariavelmente, é uma questão que a jornalista e seus conselheiros políticos precisam ter ciência para avaliar o convite.
Cristina, não necessariamente, teria que deixar o União Brasil, mas poderia, até quem sabe, se filiar em outra legenda aliada do PSD. A depender das demais costuras políticas engendradas pelo Palácio Iguaçu.
O timing da reunião, não só a duração, revela os bastidores da estratégia de Ratinho e fala bastante também sobre a completa indefinição de uma chapa — na última semana de janela partidária.
Sai Eduardo entra Paranhos na bolsa de apostas
O fato de Ratinho cogitar Cristina Gramel como possível vice indica, nitidamente, que não prosperou a ideia de fazer Eduardo Pimentel renunciar à prefeitura de Curitiba para disputar o governo em outubro. Um alívio no Palácio 29 de Março e na família Pimentel Slaviero. O nome ventilado da vez é o do secretário de Turismo, Leonaldo Paranhos. Mais um aliás.
Eduardo já dava todos os sinais de que não estava confortável com a ideia de deixar a prefeitura de Curitiba com pouco mais de um ano de gestão para se aventurar numa eleição que, definitivamente, está longe do desenho traçado por Ratinho e seus asseclas.
Durante as comemorações dos 333 anos de Curitiba, neste domingo, ele voltou a dizer que está focado na prefeitura de Curitiba. Seria também difícil explicar ao eleitor, principalmente da capital, que os antigos rivais da eleição de 2024 dariam os braços agora para buscar voto ao Iguaçu.
Falando em eleição de Curitiba, o governador parece já ter esquecido a troca de farpas que teve com a jornalista durante a campanha. No início do segundo turno, durante o debate da Band, Cristina se referiu à experiência profissional do governador em tom de elogio, mas que foi interpretado como ironia.
“Admiro profundamente que alguém com o currículo de Ratinho Júnior. Ele foi sonoplasta do pai nas empresas e que isso tenha sido experiência suficiente para que ele gerenciasse o estado tão bem”. Logo em seguida, governador usou suas redes sociais para responder. Num vídeo, Ratinho disse que Graeml foi “preconceituosa” por ter citado seu currículo e de ter o chamado de “governador sonoplasta”.
Página virada e muito engov para focar em 2026 e esquecer as farpas e cotoveladas de 2024 — de parte a parte.
Cristina como antídoto a Moro
O encontro entre Ratinho e Cristina mostra também a estratégia de tentar desidratar Sergio Moro dentro do ninho bolsonarista. Como vice na chapa do PSD, ela, que conversa bem com este eleitor, abriria uma divergência, principalmente nas redes sociais.
A reunião com ela tinha interesses distintos. Enquanto Cristina buscava a vaga ao Senado na chapa do PSD, Ratinho cogitava ter ela como vice. Até porque, dar legenda de Senado para Cristina Graeml representaria um rompimento com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi — já que o governador desenha a chapa como ele sendo candidato para a Câmara Alta.
O encontro do fim de semana reforça que Rafael Greca não faz parte dos planos de Ratinho na chapa do PSD. Assim como no caso de Eduardo Pimentel, seria impensável uma união, mesmo que pragmática, entre o ex-prefeito e Cristina Graeml. Basta rememoramos o discurso de Greca após o pleito em Curitiba.
“Mas mais do que tudo, eu vim celebrar a minha devoção à Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, que mais uma vez, conforme a doxologia e a tradição cristã, Maria pisou na cabeça da serpente”, declarou na época Rafael Greca.