O ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e a esposa, a médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson, estão entre os 220 nomes constantes no relatório da CPMI do INSS que propõe o indiciamento de pessoas envolvidas com o esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
O casal foi preso em Curitiba em novembro do ano passado durante uma das fases da operação Sem Desconto –deflagrada pela Polícia Federal. Ele segue preso na Superintendência da Polícia Federal do Paraná e ela teve a prisão preventiva convertida em domiciliar para cuidar do bebê de pouco mais de um ano. Ela cumpre prisão em casa, em Curitiba.
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Preso em Curitiba, ex-procurador “é um dos principais beneficiários de propinas”
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho é apontado na investigação como elo estratégico entre a alta cúpula do INSS e a organização criminosa. Para a PF, ele foi “um dos principais beneficiários de propinas pagas pela organização criminosa liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da CONAFER” — Confederação Nacional dos Agricultores Familiares, entidade envolvida nos descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
Já a esposa, Thaisa, é apontada como gestora operacional e financeira do núcleo de lavagem de capitais da organização criminosa. Ela é quem, segudo a investigação, administra e controla diversas empresas que teriam sido utilizadas para “emitir notas fiscais falsas, simular contratos de prestação de serviços e movimentar recursos ilícitos oriundos das fraudes previdenciárias”.
Era Thaisa, ainda segundo a PF e o STF, quem mantinha contato frequente com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, mesmo após a deflagração da fase ostensitva da investigação.
Os nomes de Virgílio e Thaisa estão no longo relatório apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, em que pede o indiciamento de mais de 200 pessoas — entre elas parlamentares, ex‑ministros, dirigentes de estatais e entidades associativas, além do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.
O relatório de Alfredo Gaspar ainda precisa ser aprovado pelo colegiado, ao mesmo tempo, a base do governo Lula prepara um parecer paralelo ao do relator para que seja também colocado em votação.
Outro lado
A defesa do casal Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e Thaisa Hoffmann Jonasson, capitaneada pelo adogado Maurício Moscardi, informou que vai aguardar a conclusão da votação do relatório para depois se manifestar.