O ex-presidente do PL do Paraná, deputado federal Fernando Giacobo, se desfiliou do partido e convocou para esta quinta-feira (26) um encontro com prefeitos da legenda num hotel de Curitiba.
Giacobo, na verdade, encabeça um levante da prefeitada eleita pelo PL na eleição de 2024 contra a chapa de Sergio Moro — recém-filiado ao partido de Flávio Bolsonaro. O deputado federal tem ligado para prefeitos e deputados estaduais sondando sobre a permanência dos aliados na legenda.
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Giacobo anuncia saída do PL após filiação de Sergio Moro
O apoio ao governador Ratinho Junior, e a candidatura do PSD, é o pano de fundo deste movimento político feito por Giacobo — que obviamente é acompanhado de perto pelo Palácio Iguaçu que tem interesse político em esvaziar a trincheira do ex-juiz da Lava Jato.
Nos bastidores do Palácio Iguaçu, comenta-se que Giacobo pode vir a ocupar uma secretaria de Estado a partir de abril — quando muitos secretários que vão disputar a eleição de outubro terão de deixar as pastas por conta da legislação eleitoral.
De acordo com uma fonte bem informada do Iguaçu, Giacobo se reuniu ontem (25) com Ratinho Junior na sede da rádio da família do governador — que fica em Santa Felicidade. Dentre os assuntos conversados, o mapa da prefeitada que pode trocar o PL para partidos aliados — mas, principalmente, quem poderá ajudar o projeto de sucessão de Ratinho.
A tendência, diz a fonte, é que Giacobo, que não vai disputar a reeleição, assuma a Secretaria das Cidades — hoje ocupada por Guto Silva. O orçamento da pasta, no entanto, está praticamente todo comprometido pelos muitos anúncios feitos por Guto pelo interior do Estado.
Com muitas prioridades abertas no orçamento, e convênios a serem honrados pelo governo, Giacobo poderá, pelo menos, dar agilidade na liberação dos recursos prometidos aos seus principais aliados.
A sintonia com o Palácio Iguaçu indica que Giacobo deve se filiar ao PSD de Ratinho — ou uma legenda indicada pelo governador. Ele deixou o PL esta semana depois de tentar, sem sucesso, ser vice de Sergio Moro.
Prevaleceu a vontade do ex-juiz da Lava Jato, que filiou e indicou Édson Vasconcelos para o posto. Contrariado, Giacobo até tentou convencer Valdemar da Costa Neto sobre o plano da vice, numa reunião para lá de tensa, mas acabou não sensibilizando o diretório nacional.