Horas antes de anunciar a desistência da disputa pela presidência da República, o governador Ratinho Junior procurou Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro para tentar reaver a aliança do PSD com o PL e o Novo no Paraná. A tentativa foi em vão.
Uma boa fonte do Blog Politicamente conta que o governador ligou para o presidente nacional do PL, mas, pouco tempo depois, teria ouvido que o apoio à candidatura de Sergio Moro no Paraná seria mantido — independentemente da desistência do plano presidencial do governador do Paraná.
Houve o aperto de mão e um vídeo em que o filho 01 de Jair Bolsonaro declarava apoio ao ex-juiz da Lava Jato, gestos que não voltam.
A aliança do PL com o PSD no Paraná foi rompida única e exclusivamente por conta do que parecia a iminente pré-candidatura presidencial de Ratinho — que era para ser oficializada nesta semana. Com o governador no páreo, no panorama nacional, Flávio Bolsonaro ficaria sem palanque na terra das araucárias. Ele, portanto, foi em busca de um candidato para chamar de seu.
Por isso, abriu conversas com Sergio Moro que liderava as pesquisas de intenção de voto. As tratativas avançaram para uma filiação do ex-juiz da Lava Jato, que acontece no fim da manhã desta terça-feira (24) em Brasília, e o apoio declarado de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio Iguaçu.
Para piorar, o Novo de Deltan Dallagnol acabou tomando o mesmo rumo, deixando o grupo político liderado por Ratinho Junior.
Se o problema era o palanque no Paraná, argumentou Ratinho, a desistência da disputa pelo Palácio do Planalto removia este obstáculo. Mas, a palavra de Flávio Bolsonaro já havia sido dada. “Se fosse na semana passada, estaríamos todos em paz”, disse um filiado de cuturno alto do PL.
Núcleo duro de “calça curta”
O descompasso no timing revela que a decisão de Ratinho de abrir mão da eleição presidencial pegou a todos de surpresa. Até mesmo aliados mais próximos do governador foram pegos de “calça curta”.
O sempre presente Eduardo Bekin, diretor-presidente da Invest Paraná, fez uma reunião na manhã desta segunda-feira (23) em que comunicou que deixaria o posto para se dedicar ao projeto presidencial de Ratinho. Chegou a adiantar que o atual diretor de Relações Institucionais da Invest Paraná, Giancarlo Rocco, ficaria à frente da agência. Um dos muitos exemplos de como a decisão de Ratinho surpreendeu o próprio time.
No fim da tarde desta segunda-feira, após o comunicado oficial, o clima era de velório no Palácio Iguaçu. O comentário era geral. Todos buscando entender os motivos de um recuo político deste tamanho.
Dois motivos que explicam a desistência
O Blog Politicamente ouviu palacianos, empresários e amigos pessoais do governador Ratinho Junior. Eles convergem basicamente para dois pontos: um eventual desgaste no seio familiar e arranhões na imagem dos negócios, por conta de um processo de desconstrução na campanha presidencial; e o receio de não conseguir fazer o sucessor no Palácio Iguaçu.
O recuo, no entanto, não lhe garante tranquilidade em nenhum dos dois temores. Mas ameniza, é bem verdade. Jogar “em casa” é diferente. Sai do foco nacional.
Ratinho passa a partir desta terça-feira (24) a comandar com mão de ferro a sua sucessão no Paraná, sem mais ter de olhar para o país. A onipresença do governador no Estado enfraquece as negociações feitas até aqui com aliados e ele passa a depender menos de outros atores políticos para eleger o indicado.
Os dois nomes que serão escolhidos na chapa do PSD para disputar as duas vagas no Senado também ganham força com Ratinho na cadeira de governador, assim como as chapas federais e estaduais dos partidos aliados.
Trocando em miúdos, Ratinho desiste de um plano nacional, num cenário incerto na tarefa de furar a bolha e enfraquecer a polarização Lula e Bolsonaro, para se dedicar aos seus aliados no Paraná. E, principalmente, à família.
O comunicado oficial descarta o aceite de um eventual convite para disputar como vice-presidente em 2026, no momento em que cita que Ratinho “decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano”. O anúncio da desistência cita ainda que a partir de janeiro de 2027, “Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho”.
Esta possibilidade, no entanto, esta dentro de um cenário bastante otimista, já que o governador do Paraná será um aliado importante, talvez decisivo, num eventual 2º turno — momento em que as negociações por espaços políticos num futuro governo são intensificadas. Ministérios e até o comando da Itaipu Binacional são recompensas vistas com bons olhos.