Batman e Robin: Moro filia dia 24 no PL e Deltan será o candidato dele ao Senado

Paulo Martins pode disputar vaga na Assembleia Legislativa e Cristina Gramel agora vai em busca de novo partido para tentar disputar o Senado

A dupla Batman e Robin será reeditada. Sergio Moro e Deltan Dallagnol estarão juntos na eleição de 2026. Estão aguardando somente as formalidades burocráticas para anunciar o reencontro que teve na operação Lava Jato seu ápice.

O ex-juiz vai se filiar no PL no próximo dia 24 para disputar o Palácio Iguaçu tendo o presidenciável Flávio Bolsonaro como apoiador. O acerto foi feito ontem (18) em Brasília durante uma reunião de mais de duas horas com Flávio e Valdemar da Costa Neto — além de outras testemunhas.

Durante o encontro, o filho 01 de Jair Bolsonaro manifestou a Moro o desejo de contar com o Novo do governador de Minhas Gerais, Romeu Zema, na chapa presidencial e adiantou que vai oferecer uma das vagas ao Senado no Paraná para Deltan Dallagnol. A outra vaga é de Filipe Barros. A dúvida é só quanto à vice, mas Moro tem carta branca para escolher.

Depois que a informação da vaga ao Senado veio à tona, aqui pelo Blog Politicamente, Deltan fez uma reunião de emergência ontem à noite na casa dele só com pessoas mais próximas — que foi até altas horas. Lá estiveram: Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba, Lucas Santos, presidente do PL estadual, e o advogado Jeffrey Chiquini — que vai disputar uma cadeira na Câmara Federal.

Desenharam cenários e estratégias. Avaliaram o convite que virá oficialmente do PL e as consequências do movimento político — principalmente uma ruptura com o Ratinho Junior e o grupo político do governador. Isso inclui, também a relação com Eduardo Pimentel e os espaços que a legenda ocupa hoje na prefeitura de Curitiba.

Depois de muita conversa, veio a batida do martelo. Deltan vai aceitar o convite e será o candidato de Moro ao Senado Federal na eleição que se avizinha.

Sobre uma eventual inelegibilidade de Deltan que pode vir a ser decretada pela Justiça Eleitoral, o Novo já tem uma saída — que aliás, foi compartilhada a Flávio Bolsonaro na reunião de ontem. Sai Deltan e entra Jeffrey Chiquini.

Paulo Martins foi sondado, durante o encontro de ontem na casa de Deltan, a lançar a candidatura para a Assembleia Legislativa. A estratégia pensada é a seguinte: Paulo faz uma boa votação para deputado estadual e se cacifa para comandar uma secretária estratégica, com orçamento gordo, num futuro governo Moro. Infraestrutura e Cidades foram as pastas cogitadas.

Sobrou para Cristina Graeml

As movimentações políticas, avaliadas como excelentes por moristas na disputa pelo Iguaçu, teve efeitos colaterais. Cristina Graeml que se filiou ao União Brasil de Moro para disputar o Senado Federal ficou sem espaço. Na negociação com o PL, o ex-juiz da Lava Jato ouviu que Cristina é muito bem vinda para disputar uma vaga na Câmara Federal.

Isso porque, as duas vagas ao Senado na chapa de Moro estão ocupadas: Deltan e Filipe Barros. Cristina ficou à pé, mas ontem mesmo iniciou uma movimentação junto à outras legendas em busca da vaga na Câmara Alta. Disparou zaps e fez ligações, assim como também foi procurada.

Analistas políticos avaliam como remotos os espaços para a jornalista que surpreendeu a classe política em 2024 ao disputar o 2º turno da eleição em Curitiba contra Eduardo Pimentel. “Se ela topar disputar uma cadeira na Câmara de Deputados ela terá vaga em todos os partidos políticos, mas para Senado os caminhos estão se fechando”, disse um cabeça-branca com experiência em pleitos no Paraná.

Cristina Graeml, no entanto, não quer nem ouvir faalr de tapete verde — quer andar pelo azul. Em nota divulgada à imprensa, após o acerto de Moro com o PL, ela reafirmou:

“O senador Sérgio Moro sabe, desde o início, que a minha decisão é firme e irreversível. Sou pré-candidata ao Senado da República. Não há qualquer possibilidade de recuo. Não existe plano para mudança de rota. Sigo com responsabilidade, respeito às lideranças e, acima de tudo, com lealdade ao povo do Paraná, que me levará com a sua força ao Senado da República”.

Efeitos da letargia do Iguaçu

Toda esta movimentação política, que mexeu com o xadrez eleitoral no Paraná, tem como consequência a letargia do Palácio Iguaçu, do governador Ratinho Junior, de definir a chapa do PSD. Esta é a avaliação de muitos palacianos e de apoiadores do governador — e aqui estão incluídos prefeitos, deputados estaduais e federais — ouvidos pelo Blog Politicamente.

E essa demora teve como primeiro fruto a ruptura da aliança do PSD com o PL do Páraná. O segundo veio horas depois: o desembarque do Novo.

Enquanto Ratinho mantém as esperanças de Rafael Greca e Alexandre Curi, numa composição cada vez mais difícil, Sergio Moro mostrou que o rótulo de inabilidade política já não lhe cabe. Fechou com Flávio Bolsonaro e “roubou” o Novo e Deltan da chapa do PSD — aliado que era dado como certo no arco de alianças do Iguaçu.

Espera-se para esta sexta-feira, no máximo, até domingo uma decisão, enfim, de quem será o abençoado de Ratinho Junior para disputar o governo do Paraná. No Centro Cívico, há quem aposte que Ratinho venha com num novo nome, diferente dos cenários já aventados, para representar o PSD na eleição de outubro.

Embora, até os mármores do Palácio Iguaçu, já sabem da predileção do governador para com Guto Silva. Aliás, Ratinho deu todos os sinais disso. Desde a nomeação do mesmo na pasta das Cidades.

Aposta-se tudo, todas as fichas, no potencial de transferência de voto do governador, para que o voo de galinha visto até aqui se transforme no voo imponente da Águia Harpia (ou popularmente conhecido como Gavião-Real) que enfeita o gabinete do 3º andar e que levou Ratinho Junior ao Palácio Iguaçu e, quem sabe, futuramente, até o Palácio do Planalto.

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