Está marcada para a próxima segunda-feira (9) às 18h em Brasília uma reunião entre o governador Ratinho Junior e o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para discutir o xadrez eleitoral no país e também, e especialmente, no Paraná.
Rogério Marinho, que coordena a pré-campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro, também está confirmado no encontro.
Uma fonte bem informada disse ao Blog Politicamente que estão sendo aventados quase uma dezena de cenários, mas que todos eles começam a ser pensados a partir de uma dúvida: Ratinho Junior será candidato à presidência em 2026 pelo PSD? Essa é uma resposta que Flávio Bolsonaro quer ouvir diretamente de Ratinho na reunião.
O governador paranaense, aliás, esteve em São Paulo esta semana para discutir exatamente isso com Gilberto Kassab — a data do anúncio. Com o prazo de desincompatibilização fechando em 4 de abril, Ratinho precisa definir a estratégia eleitoral — sobretudo pensando na sucessão ao Palácio Iguaçu.
Se a resposta for negativa, o caminho natural é uma aliança entre PL e PSD no Paraná — independentemente do acerto nacional. O diretório estadual estaria liberado para dar palanque ao filho 01 de Bolsonaro.
Mas se Ratinho confirmar a candidatura presidencial, que é o panorama hoje posto dentro do PSD, a relação terá de ser discutida. E aí, espera-se do governador paranaense uma saída ao imbróglio — principalmente num discurso para a base bolsonarista.
É praticamente unânime o entendimento de que o acordo político costurado por Ratinho e Jair Bolsonaro é muito bom e rendeu bons frutos nas eleições passadas. Aliás, o ex-presidente já explanou ao filho que gosta tanto do governador do Paraná quanto do pai, o apresentador Ratinho.
É cristalino também que os dois lados desejam a permanência da boa relação. Mas, ao mesmo tempo, Flávio e Rogério Marinho pensam num palanque no Paraná.
Hipóteses
E aí começam a desanuviar cenários até então inimagináveis, mas que estão no radar do PL. Numa hipótese de rompimento, sem brigas e sem mágoas, mas meramente pragmático, o PL terá de ter candidato no Paraná. Bolsonaro, o Jair, já deu a entender pelas anotações de Flávio que foram vazadas, que não quer Fernando Giacobo, presidente do PL no Paraná, como candidato.
Os olhos do PL, então, começam a se virar para outras opções. O nome de Sergio Moro (União Brasil) é uma possibilidade, mas não é o plano A. Talvez nem o B. Uma eventual candidatura ao governo de Alexandre Curi pelo Republicanos, no cenário de Guto Silva ser anunciado como candidato de Ratinho, foi colocada na mesa e é bem visto.
Sondagens já foram feitas e esbarra num impecilho: o presidente da Assembleia é Ratinho Futebol Clube na disputa presidencial.
Outro entrave seria a presença de do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, como vice numa eventual chapa encabeçada por Alexandre Curi ao governo. Até hoje Bolsonaro não esqueceu das declarações nada elogiosas dirigidas ao ex-presidente durante uma solenidade na Assembleia.
Um dos desenhos prevê que o PL indique a vice de Curi — numa eventual candidatura, frise-se. Mas o partido bolsonarista hoje sequer teria nome para indicar.
No encontro desta segunda-feira, os bolsonaristas esperam mais ouvir do que falar. Primeiro querem saber sobre os planos presidenciais de Ratinho e depois, se for o caso, numa saída política para evitar o rompimento entre PSD e PL no Paraná — tema que assusta as bancadas estadual e federal do partido de Bolsonaro.
Flávio, por sua vez, vai tentar atrair Ratinho para sua trincheira já no 1º turno, já que numa eventual segunda etapa do pleito o acerto entre os dois é certo. Em recente entrevista, Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, disse não acreditar que Ratinho será candidato. Nas redes sociais, o governador atribuiu a declaração como fake news, mas depois apagou a postagem.
Valdemar, na mesma entrevista, rasgou elogios ao governador paranaense e afirmou que ele tem que ser aproveitado num eventual futuro governo de Flávio Bolsonaro.