Está sendo gestado pelo PL um encontro entre Flávio Bolsonaro (PL) e Ratinho Junior (PSD) em Curitiba após o Carnaval. Os dois são hoje, no cenário sem o governador paulista Tarcísio de Freitas, os maiores nomes da Direita na corrida presidencial.
A manutenção da candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro é o que impulsiona Ratinho a disputar o Palácio do Planalto que vai se apresentar aos brasileiros como uma opção à polarização entre Lula e Bolsonaro, entre PT e PL. O mote será o discurso da paz política com foco em gestão e resultado.
Mas a disputa entre Ratinho e Flávio no âmbito nacional vai trazer consequências para o xadrez político do Paraná. O acordo entre PL e PSD costurado nas últimas eleições pode ser desfeito, podendo causar sequelas.
Desde que assumiu, ainda de forma improvisada, a coordenação da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, tem se debruçado nos cenários dos Estados. Marinho sabe da importância de palanques fortes por todo o país para, dentre outras missões, reduzir a rejeição, hoje na casa dos 50%, e furar a bolha bolsonarista.
Ao analisar o panorama político no Paraná, acendeu a luz amarela. Sinal de tensão. Qual seria o palanque do 01 na terra das Araucárias?
O panorama no Paraná
O PL do Paraná não tem hoje um nome competitivo para disputar o Palácio Iguaçu. Até a entrada de Flávio na disputa presidencial, pensava-se que o PL abraçaria o candidato do PSD indicado por Ratinho Junior — seja Alexandre Curi, seja Guto Silva. Em contrapartida, Filipe Barros (PL) seria o candidato ao Senado no Paraná com o apoio de Ratinho.
Se Flávio bater o pé e exigir palanque no 1º turno, um caminho para o PL seria conversar com Sergio Moro (União Brasil). Isso soa como música aos ouvidos do senador, ao staff dele e, principalmente, para Cristina Gramel que busca uma vaga ao Senado. A vinda do PL significa mais tempo de TV, muito fundo eleitoral e, principalmente, a grife Bolsonaro.
O PSD, obviamente, já fez esta leitura e não pretende dar o PL de mão beijada ao ex-juiz da Lava Jato.
O Blog Politicamente ouviu fontes do PL que relataram que diante do panorama no Paraná a primeira ordem foi: não fazer nada. A orientação é aguardar, não fazer movimentos bruscos, até que o cenário fique mais claro.
O receio de um divórcio
Mas dirigentes da executiva nacional ouviram que não há interesse do comando do partido no Paraná de uma ruptura com o PSD. Há uma ala que acredita que pode haver uma debandada da legenda, enfraquecimento da chapa e, consequentemente, um resultado mais tímido nas urnas — podendo perder espaço na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Sem falar, na candidatura de Filipe Barros costurada por Ratinho e Bolsonaro em 2024. Aliás, a vinda de Flávio Bolsonaro a Curitiba tem como propósito também lançar a pré-candidatura de Filipe Barros ao Senado.
Esta ala interna do PL cita ainda que não há, necessariamente, a obrigação de um palanque para Flávio Bolsonaro no 1º turno no Paraná, diante da estratégia de campanha muito forte nas redes sociais, e que uma ruptura poderia comprometer o apoio de Ratinho a Flávio num eventual 2º turno contra o presidente Lula.
A partir do momento em que as candidaturas de Flávio e Ratinho ganharem mais musculatura, aumenta, proporcionalmente, a tensão na relação PL e PSD nos estados.
E quando partidos do Centrão se posicionarem no pleito de 26, assim como governadores presidenciáveis, bombeiros de plantão terão de entrar em cena, a depender do movimento politico, para arrefecer os ânimos. Mas haverá uma certeza: no 2º turno, independentemente do nome que avançar, os dois dividirão o mesmo palanque.
O staff de Sergio Moro aguarda o desfecho deste relacionamento entre as duas legendas. Assim como tantos outros pré-candidatos Brasil à fora.