Um equívico. Foi esta a justificativa dada pela Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) que fez o juiz Nivaldo Brunoni da 23ª Vara Federal de Curitiba a determinar o arquivamento da investigação envolvendo o secretário da Fazenda de Maringá, Carlos Augusto Ferreira, de 63 anos.
No dia 16 de outubro, Ferreira foi surpreendido com uma ação da PF, batizada como Mafiusi, que investigava o núcleo financeiro da organização criminosa que seria responsável por operacionalizar a movimentação, contabilidade e lavagem do dinheiro proveniente do narcotráfico internacional.
Os federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do secretário, na cidade de Maringá, onde recolheram carros de luxo de Carlos Ferreira — que, imediatamente, pediu licença do cargo para se defender. O secretário foi envolvido no caso basicamente por dois aspectos: por conta do nome e da breve passagem pela fintech Pinbank Holding S.A que estava no epicentro da investigação.
Durante a primera fase da Mafiusi, a PF apreendeu celulares dos investigados e na extração dos dados de um dos alvos se deparou com uma conversa com um interlocutor chamado “CARLÃO PIN BANK”. Os dois falavam sobre a movimentação de recurso sem origem conhecida através da fintech com o objetivo de esquentar dinheiro. Como no período da conversa o secretário de Maringá era de fato presidente da Pinkbank a PF acreditou que “CARLÃO PIN BANK” era Carlos Augusto Ferreira. Não era.
Logo depois da operação, ao ter ciência da acusação, a defesa e o próprio secretário já colocavam em dúvida a acusação da Polícia Federal. E Carlos Augusto Ferreira, na época, já apontava o equívoco. O tal “CARLÃO PIN BANK” era na verdade Carlos de La Cruz Hyppolito.
O Blog Politicamente teve acesso à decisão do juiz federal Nivaldo Brunoni da 23ª Vara Federal de Curitiba, em que o magistrado pontua o posicionamento tanto da PF quanto do MPF quanto ao erro.
“Informo também que, a partir da análise do celular apreendido com CARLOS AUGUSTO FERREIRA em decorrência do mandado de busca e apreensão expedido nos presentes autos, foi possível confirmar que assiste razão a sua alegação de não ser o interlocutor das conversas com KLAUS CRISTHIAN VOLKER, pois o mesmo terminal telefônico aparece na análise do celular apreendido como sendo de CARLOS DE LA CRUZ HYPPOLITO”, disse a PF.
Tal confirmação, segue a Polícia Federal, só foi possível em razão da análise do celular apreendido com Carlos Augusto Ferreira, “uma vez que as informações disponíveis nos bancos de dados da Polícia Federal à época da análise do celular de KLAUS CRISTHIAN VOLKER levaram a identificação de CARLOS AUGUSTO FERREIRA como sendo o interlocutor CARLÃO PIN BANK”.
A PF cita ainda que ao perceber o equívoco, intimou Carlos de La Cruz Hyppolito, o verdadeiro “CARLÃO PIN BANK”, para prestar esclarecimentos no interesse da investigação, porém ele não compareceu ao ato da sua oitiva.
“A perícia confirmou que CARLOS AUGUSTO FERREIRA não tinha envolvimento com as comunicações suspeitas, e a cópia dos dados já foi disponibilizada à defesa, garantindo transparência e possibilidade de verificação técnica. Diante desses fatos, não subsistem fundamentos que justifiquem a manutenção das medidas restritivas anteriormente decretadas em desfavor de CARLOS AUGUSTO FERREIRA, não havendo interesse do Ministério Público Federal na continuidade dessas medidas”, certificou o MPF.
Diante do equívoco, a Justiça Federal acolheu o pedido dos advogados do secretário da Fazenda de Maringá e determinou a restituição dos bens apreendidos durante o cumprimento do mandado judicial — entre eles, computador, celular e uma Ferrari, além de outros carros de luxo. Por fim, o juiz Nivaldo Brunoni ordenou o arquivamento do caso quanto a Carlos Augusto Ferreira.
Após a decisão da Justiça Federal, pelo arquivamento, o secretário de Maringá concedeu uma entrevista coletiva em que se manifestou sobre o caso. Num material disponibilizado à imprensa, Carlos Augusto Ferreira disse que “em 48 horas identifiquei o dono do telefone, seu endereço e da empresa da qual o mesmo é acionista e obviamente tem os poderes para as tais transações. Poderia até dar um roteiro de um filme mas é verdade a minha verdade, e demonstra o momento de um erro crasso e evitável”.
Por fim, citou um trecho bíblico. “Para aqueles que: não prejulgaram, nem pré condenaram não há com que se preocupar. Não julgueis para não ser julgado”.
No dia 14 de novembro, portanto menos de um mês depois da operação da PF, o prefeito da cidade de Maringá, Silvio Barros, resolveu reconduzir Carlos Augusto Ferreira ao posto de secretário da Fazenda.
O Blog Politicamente informa que por uma decisão editorial e diante do erro por parte dos órgãos de investigação resolveu tirar do ar a notícia da deflagração da operação da PF envolvendo, de forma equivocada, o nome de Carlos Augusto Ferreira.