A passagem de Ciro Nogueira por Curitiba não trouxe praticamente novidades sobre o cenário eleitoral de 2026 envolvendo Sergio Moro e a guerra interna dentro da futura federação União Progressista. Alívio para uns e frustrações para outros. Não passou de um fato político muito bem montado e articulado. O que não mudou foi clima interno entre as legendas: segue péssimo.
Na prática, o mandachuva do PP reafirmou in loco o que já havia comunicado num vídeo pulverizado nas redes sociais: o PP não topa a candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao governo do Paraná. Mais que isso, Ciro veio mostrar a carta branca dada a Ricardo Barros. O PP colocou no papel o posicionamento, por unanimidade, contra o senador.
Mas um encontro em Brasília marcado para a manhã desta terça-feira (9) entre Sergio Moro, Ricardo Barros, Ciro Nogueira e Antônio Rueda é que deve dar os contornos finais na relação entre PP e União no Paraná para 2026. Ou vai ou racha. Ninguém arrisca um desfecho desta relação. Ou seja, apesar das declarações do presidente nacional do PP, tudo pode acontecer. Ou simplesmente nada.
Um progressista ouvido pelo Blog Politicamente conta que a passagem de Ciro Nogueira por Curitiba serviu como um “último aviso” a Sergio Moro. “Ou ele chama o PP para construir a candidatura majoritária no Paraná, para montar a chapa e fazer as costuras políticas, ou não terá o aval do partido”. Aliás, Ciro Nogueira contou que o Paraná é o grande calcanhar da federação, onde não há uma perspectiva de acerto político.
O PP elenca uma série de reclamações à condução política feita pelo senador de forma unilateral. Desde a filiação de Cristina Graeml, com a promessa de legenda ao Senado Federal, até a recente filiação do professor Wilson Matos Filho para comandar o União Brasil em Maringá — substituindo o ex-deputado Dr. Batista.
Logo em Maringá — não só o reduto eleitoral dos Barros, mas também por conta da cidade ser administrada por Silvio Barros. Este movimento político comprova a completa falta de diálogo entre Sergio Moro e a família Barros.
E esta insatisfação foi verbalizada pela deputada e presidente do PP do Paraná, Maria Victoria, reafirmando que o Progressistas não vai homologar a candidatura do ex-juiz da Lava Jato. O posicionamento foi ratificado pelos deputados do PP que apartaram o discurso da 2ª secretária da Alep. Por outro lado, ninguém do União Brasil subiu à tribuna para falar em nome de Moro.
Almoço da cúpula do PP reuniu Alexandre Curi e Rafael Greca

Após a reunião do PP na sede do partido, em Curitiba, Ciro Nogueira e a cúpula progressista atravessaram a rua e almoçaram no restaurante italiano Osteria Capitolina. Lá, a conversa política foi com dois pré-candidatos ao governo do PSD — Alexandre Curi e Rafael Greca. Os registros fotográficos chegaram rapidamente no Palácio Iguaçu que, até aqui, apenas observa.
Aliás, esta indefinição em torno do candidato do governador Ratinho Junior para 2026 também foi creditada na relação turbulenta entre PP e União Brasil. “Estas dúvidas no cenário eleitoral dentro do PSD também atrapalha porque trava as articulações”, disse uma fonte do PP.
A mesma fonte arrisca uma solução que talvez agradaria os dois partidos: um libera geral. PP indicaria metade dos candidatos da chapa e o União os outros 50%. Mas com um detalhe: não haveria o compromisso com o candidato ao governo — com o tempo de tv e o fundo partidário devidamente garantidos. Ou seja, os progressistas estariam liberados para apoiar outro postulante ao Palácio Iguaçu.
O Blog Politicamente entrou em contato com a assessoria de Sergio Moro que informou que o senador não vai se manifestar sobre as declarações de Ciro Nogueira. Antonio Rueda, por sua vez, publicou uma mensagem numa rede social em resposta a Ciro Nogueira e o posicionamento do PP do Paraná.
“O União Brasil tem o Senador Sergio Moro, líder absoluto em todas as pesquisas, como pré-candidato ao Governo do Estado do Paraná e irá insistir na homologação da candidatura. A intenção é de dialogar com o Progressistas no âmbito da Federação, buscando o melhor para o Paraná e também para Federação. A imposição de vetos arbitrários é inaceitável”.