A mais nova fase da operação Sem Desconto, que apura um desvio bilionário de mais de R$ 6 bilhões na aposentadoria do INSS, chegou no “andar de cima”. Além de ex-presidentes da entidade como alvos, agentes federais cumpriram mandados contra parlamentares.
Desde a eclosão do esquema criminoso, era pouco crível que um rombo desta magnitude e que perdurou tanto tempo, fosse perpetrado por servidores do segundo escalão. As ordens de prisão foram dadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Na manhã desta quinta-feira (13), a PF cumpriu mandados de busca contra o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), que vendeu um avião a uma entidade ligada aos desvios, e o deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo, que presidiu entidade de pescadores responsável por descontos associativos.
E não deve parar por aí. Só o fato, no mínimo inusitado, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de decretar sigilo de 100 anos de informações sobre entrada e saída de suspeitos de praticar fraudes no INSS em gabinetes de senadores, pode indicar participação de congressistas da Câmara Alta.
A PF cumpriu mandados de prisão e medidas cautelares alternativas à prisão contra dez alvos investigados e ainda outros 63 de busca e apreensão em diversos estados: Paraná, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.
Entre os presos, estão dois ex-presidentes do INSS, Alessandro Stefanutto e José Carlos Oliveira — o primeiro assumiu a entidade na gestão de Lula e o outro na do ex-presidente Jair Bolsonaro. Oliveira teve de colocar a tornozeleira eletrônica,
Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS, que já estava detido e teve outra ordem de prisão decretada pelo STF. A lista de presos inclui ainda Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Cícero Marcelino de Souza Santos, empresário também ligado à Conafer, e Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também ligado à confederação.