PT se reaproxima de Requião Filho mirando a eleição de 2026

A costura entre PT e Requião Filho está avançada. Nesta quarta, o deputado vai se reunir com Edinho Silva e depois com Carlos Lupi em Brasília

O PT do Paraná articula internamente para repetir em 2026 a estratégia feita na eleição municipal do ano passado em Curitiba para formar uma frente ampla de esquerda tendo agora Requião Filho (PDT) como cabeça de chapa.

Novamente, o partido de Lula estaria abrindo mão de disputar uma majoritária para apoiar um aliado mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto — fator que parece ser determinante para a ideia de reatar o relacionamento com “os Requião”.

A ideia de não lançar candidato próprio foi o que provocou rusgas internas dentro do PT. Em 2024, o candidato de Lula foi Luciano Ducci, do PSB — que acabou não passando para o 2º turno, sendo surpreendido pela novata Cristina Graeml do nanino PMB. Este será um desafio para Requião Filho, mobilizar a militância petista em 26.

O PT, mais uma vez, estaria pensando de forma pragmática. Ao invés de lançar candidato com, até aqui, pouca musculatura eleitoral num terreno “pouco fértil”, prefere caminhar junto ao aliado mais bem ranqueado nas pesquisas.

Esta reaproximação dos petistas com “os Requião” é a retomada de um relacionamento conturbado que começou com juras de amor, com Roberto Requião se filiando ao PT para dar palanque para um cambaleante Lula em 2022 no Paraná, mas terminou com o ex-governador cuspindo marimbondos e na saída, juntamente com o filho, do ninho petista.

“A vida é uma roda gigante”

A metáfora de que “a vida é uma roda gigante” se encaixa perfeitamente neste velho/novo namoro do PT com Requião Filho. O deputado estadual tentou à todo custo convencer a cúpula do PT do Paraná em 2024 que ele, então filiado ao PT, seria o candidato para disputar a prefeitura de Curitiba. Mas os “petistas” preferiram Ducci.

Dois anos depois, com bons números nas sondagens eleitorais, é o PT quem se insinua para Requião Filho, que agora começa a articular, sem distinção,  com outros partidos — inclusive da centro-direita.

Arilson Chiorato, presidente do PT do Paraná, foi quem piscou primeiro para o pedetista. E o aceno foi correspondido. Requião Filho confirmou ao Blog Politicamente que já teve conversas com a ministra Gleisi Hoffmann, com Ênio Verri e com o deputado federal Zeca Dirceu. Nesta quarta-feira (5), o papo será com Edinho Silva, presidente nacional dos petistas, em Brasília, e depois com Carlos Lupi — quem manda no PDT.

Uma fonte bem informada, que acompanha de perto as tratativas entre PDT e PT, conta que nesta composição de frente ampla para 26, os petistas sequer vão ficar com a vice na chapa de Requião Filho — assim como aconteceu em 24. É uma estratégia para “namorar, sem precisar casar”.

O PT indicaria um nome para disputar o Senado Federal. O mais comentado é o de Zeca Dirceu, mas há quem defenda a candidatura de Ênio Verri para a Câmara Alta. Gleisi vai mesmo buscar a reeleição.

Aliança para rever decisões de Ratinho

Ainda segundo esta fonte do Blog Politicamente, esta reaproximação com o PT de Lula permite que Requião Filho, caso seja eleito governador, revise, com o aval do Governo Federal, alguns projetos da gestão de Ratinho Junior — em especial os processos de privatização ainda em andamento, como da Celepar e da Ferroeste, e ainda em programas estaduais como o do Parceiro da Escola. E se ainda for possível alterar a questão dos contratos com as pedageiras.

Mas a estratégia que deu em errado em 24, não poderia ter o mesmo destino em 26? A diferença é que em 2022 Lula estava cambaleante e recém havia deixado a carceragem da Polícia Federal. Neste segundo semestre de 25, o presidente iniciou um processo de recuperação da popularidade que tem animado os petistas e, consequentemente, os candidatos de 26 que estarão ao lado de Lula.

O problema é que num país de instabilidade política/econômica qualquer novo fato é capaz de interferir no humor do eleitor — seja positiva ou negativamente. O mais recente exemplo é a megaoperação no Rio de Janeiro, tão criticada pelo Governo Federal, mas aplaudida pelos fluminenses.

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