Antes mesmo de anunciar oficialmente Felipe Francischini no comando do Podemos, o que vai acontecer na próxima segunda-feira (27), as reações vieram. Nesta quinta-feira (23), o ex-senador Álvaro Dias comunicou que vai deixar a legenda. Logo em seguida, o deputado estadual Denian Couto anunciou o mesmo destino. E nos próximos dias outros podem ir na mesma toada.
As desfiliações são uma resposta imediata à notícia que veio após algumas reuniões em Brasília. Mais precisamente de Renata Abreu — a comandante do Podemos. Foi ela quem hipotecou o Podemos do Paraná a Felipe Francischini. E com um só objetivo: eleger deputado federal em 2026.
Gustavo Castro, que é (era) presidente do Podemos do Paraná e do time de Álvaro Dias, costurava com o Palácio Iguaçu a migração de deputados federais do PSD e de partidos aliados para o Podemos. Beto Preto, da Saúde, era um nome recorrente no desenho da estratégia. Outros nomes foram ventilados, como o de Luizão Goulart e Leonaldo Paranhos — ambos secretários de Ratinho.
Mas Renata Abreu optou por mudar a estratégia. Deu carta branca para Francischini montar, desde já a chapa para o ano que vem.
Quando a janela chegar…
Mas há um obstáculo. O União Brasil, partido que Felipe Francischini está filiado. Ele deixou a presidência do União do Paraná em setembro após uma guerra interna contra Sergio Moro. A partir daí, começou a estreitar as conversas com Renata Abreu.
Mas o União não deu a carta de desfiliação, mantendo Francischini, obrigatoriamente, no partido até março — quando abre a janela partidária, uma brecha no calendário eleitoral que permite que políticos com mandato mudem de legenda sem incorrer na infidelidade partidária.
Uma fonte do Blog Politicamente conta que a decisão de Álvaro deixar o partido que ele ajudou a fundar foi tomada depois que ele pediu a Renata Abreu para permanecer na presidência do partido até março, quando será aberta a janela partidária. O que não foi acatado. Essa questão teria sido discutida num jantar em Brasília com Renata Abreu.
Como Francischini não pode assumir já o Podemos do Paraná, ele teria indicado a mãe, Luciane Bonato, para comandar o partido pelo menos até março de 2026. O nome não agradou, por exemplo, Denian Couto. Em entrevista ao programa Pan News Opinião, na rádio Jovem Pan Paraná, o deputado não concordou com a indicação.
“O Podemos esta fazendo uma reserva de cargo de presidente para a mãe de um parlamentar de outra legenda”, disse Denian, citando estar decepcionado. Apesar de estar desapontado no Podemos, ele terá de aguardar até março, uma vez que o partido não lhe deu a carta de desfiliação.
As despedidas
Numa nota oficial, o parlamentar disse que está de saída do Podemos. “A legenda, ao caminhar no sentido contrário de seus próprios valores, me força a essa decisão. Em respeito à legislação eleitoral, informarei oportunamente meu novo destino partidário”
A tendência, diz uma boa fonte do Blog Politicamente, é que Denian Couto vá para o PL ou o União Brasil — este último já lhe abriu às portas durante conversas reservadas durante a filiação de Cristina Graeml, num hotel em Curitiba. Mas a pré-candidatura de Sergio Moro contra os interesses do Palácio Iguaçu pode aproximar Denian da legenda de Fernando Giacobo.
Já Álvaro Dias, se quiser permanecer no jogo político, pode voltar ao ninho do MDB velho de guerra. Numa nota divulgada nesta quinta, o ex-senador não deu dicas do destino e subiu o tom contra o partido de Renata Abreu.
“Há pouco mais de oito anos, ao lado de militantes da política, sonhei com a construção de um partido alternativo que pudesse recuperar a crença de brasileiros na instituição partidária. Hoje, confesso ! Meus sonhos foram sepultados, engolidos pela força de um sistema nefasto que teima em sobreviver. Não posso compactuar com isso. Com tristeza, despeço-me do Podemos e agradeço imensamente a todos que me acompanharam até aqui, sonhando os mesmos sonhos e alimentando a mesma fé e esperança.”
Outros filiados do Podemos devem se despedir da legenda em breve, adiantou Denian na entrevista à Jovem Pan. Ele citou os prefeitos Maurício Lense, de Guaratuba, Oclecio Meneses, da cidade de Farol, e o prefeito Áureo do muncípio de Munhoz de Melo. Ele ainda citou o deputado estadual Fábio Oliveira, mas a saída dele do Podemos para o Novo é dada como certa desde que Deltan Dallagnol fez o mesmo movimento político.
O Podemos em 26
Após este futuro esparramo, Felipe Francischini terá de reconstruir o Podemos do Paraná tendo como prioridade eleger deputados federais — missão dada por Renata Abreu. Portanto, discussões sobre as eleições majoritárias não devem tomar o tempo da nova cúpula do partido.
Historicamente, a contar pelas eleições passadas, Felipe Francischini costuma apostar em novas lideranças políticas para formar a chapa. Foi assim, por exemplo, que o PSL, hoje União Brasil, elegeu em 2018 Aline Sleutjes e Filipe Barros — além do próprio Felipe Francischini. No pleito de 2022, a mesma estratégia: foram eleitos ele, o Delegado Matheus Laiola, Geraldo Mendes e Padovani.
O Podemos do Paraná tem hoje apenas Luiz Carlos Hauly como representante na Câmara Federal. Apesar de ter feito pouco mais de 11 mil votos, ele assumiu o mandato após a cassação de Deltan. Mas a tendência, conta uma fonte da região de Londrina, é que Hauly não dispute a reeleição. O plano seria lançar um dos filhos para o pleito de 2026.
E Marcelo Fachinello, que é secretário de Governo do prefeito Eduardo Pimentel, fica no Podemos ou sai? Em dezembro, será possível enxergar melhor a estratégia política partidária, quando será realizado um grande evento de filiação. Será a oportunidade de ver quem ainda vai permanecer no barco. Felipe Francischini estará direcionando o leme deste embarcação, mesmo tendo a mãe na proa do Podemos do Paraná.