Um dia depois de receber a carta de apoio de Donald Trump, que critica o julgamento da tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro é alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte. A sede do PL também é alvo de mandado de busca e apreensão.
Moraes determina uma série de medidas restritivas ao ex-presidente, dentre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de usar as redes sociais, de falar com o filho Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA, e de se aproximar de qualquer embaixada.
A ação dos federais seria uma resposta à uma suposta possibilidade de fuga do ex-presidente. Uma fonte ligada à investigação conta que na casa de Bolsonaro foram apreendidos cerca de U$ 14 mil. Segundo a PF, Bolsonaro estaria atuado para dificultar o julgamento do processo do golpe — o que poderia caracterizar obstrução de Justiça.
Bolsonaro foi levado à sede da PF para que o aparelho eletrônico de monitoramento seja instalado em seu tornozelo. Ainda não há informações sobre o raio de circulação determinado por Alexandre de Moraes.
É impossível desassociar a operação, autorizada por Alexandre de Moraes, às críticas de Trump ao Supremo Tribunal Federal e a imposição do presidente americano de uma taxação de 50% dos produtos brasileiros. Espera-se, no entanto, que não seja uma reação política de um poder que deve se pautar por questões técnicas.
Outra medida restritiva é o recolhimento domiciliar noturno, das 19 às 7 horas, e também nos fins de semana.
A defesa de Bolsonaro informou à imprensa que só vai se manifestar após tomar ciência da decisão que autorizou a operação contra o ex-presidente.