O senador Sergio Moro (União Brasil) conseguiu aprovar nesta quarta-feira (02) um requerimento de sua autoria que convida o diretor-presidente da Celepar, André Gustavo Souza Garbosa, para dar informações na Comissão de Fiscalização e Transparência do Senado Federal sobre a futura privatização da Celepar.
Além dele, serão convidados o diretor-presidente da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior e o representante da Comissão de Empregados e ex-coordenador de equipes técnicas das áreas de suporte, Jonsue Trapp Martin. Ainda não há data para as oitivas.
O requerimento cita a preocupação do senador quanto a “proteção de informações sensíveis e estratégicas dos paranaenses e de empresas do Estado”. Moro se coloca como favorável a privatizações, mas questiona como será administrado o armazenamento de dados da empresa.
“A Celepar, por exemplo, opera bancos de dados de alta complexidade e sensibilidade, que envolvem informações de setores como segurança pública, justiça, saúde, educação, arrecadação e controle fiscal. Ou seja, informações fundamentais para o funcionamento do Estado”.
O senador pontua, ainda na justificativa do requerimento, que a lei que autorizou a privatização da Celepar, “deixou dúvidas quanto ao tratamento desses dados e como seriam utilizadas as informações armazenadas em seus data centers”.
De acordo com o senador, é necessário diminuir os riscos de uma possível utilização indevida de dados da população e das empresas paranaenses e, assim, evitar também vazamento de informações estratégicas na área de segurança pública.
Ação e reação
A informação sobre a aprovação do requerimento no Senado já chegou à cúpula do Palácio Iguaçu que avaliou a atitude de Moro como uma reação política.
Uma boa fonte do Blog Politicamente destaca que o requerimento foi assinado pelo senador dias depois que o MDB do Paraná entrou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) acusando o ex-juiz da Lava Jato de de promover propaganda eleitoral antecipada nas redes sociais. A ação acabou sendo rejeitada.
O governo começou, ainda nos bastidores, uma ofensiva para tentar desidratar a pré-campanha de Moro ao Palácio Iguaçu em 2026. A primeira medida foi tirar o deputado Mauro Moraes da base governista na Assembleia Legislativa e exonerar mais de três dezenas de cargos ligados ao parlamentar. Mauro Moraes tem cumprido agendas político eleitorais em Curitiba e no interior com Sergio Moro.
A mesma fonte palaciana cita que a notícia da aprovação do requerimento para ouvir o diretor-presidente da Celepar já chegou por whatsapp ao governador Ratinho Junior — que curte férias com a família na Ásia.
“Cada um joga com as armas que tem”, resume a fonte.