Governo suspende contrato de R$ 38 milhões com a Fapec

O contrato é alvo de uma auditoria do TC que já identificou irregularidades e cobra uma série de explicações do Palácio Iguaçu

O Governo do Paraná resolveu suspender o contrato de R$ 38 milhões que mantinha com a Fundação de Apoio à Pesquisa ao Ensino e à Cultura (Fapec) — com sede na cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado.

O contrato é alvo de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TC) que já identificou irregularidades e cobra uma série de explicações do Palácio Iguaçu. A apuração foi aberta depois que o Blog Politicamente revelou, em março deste ano, uma denúncia feita na Controladoria-Geral do Estado (CGE) dando conta de irregularidades na contratação da Fapec — feita na modalidade de inexigibilidade.

A suspensão do contrato milionário, diz uma fonte palaciana, foi uma decisão estratégica do governo antecipando possíveis desdobramentos amargos na Corte de Contas — que vai se aprofundar ainda mais no referido contrato. Um dos temores, segue a fonte, seria o resultado de um pente-fino nas notas fiscais emitidas dentro do contrato — em especial com escritórios de advocacia.

No despacho que comunica a suspensão do contrato com a Fapec, o governo faz todo um preâmbulo sobre a contratação da fundação de Campo Grande, citando o reconhecimento as “relevantes entregas já realizadas pela Fapec” durante a execução das atividades, dentre eles o Centro Integrado de Gestão e Governança do Paraná (CIG-PR) que promoveu “a modernização, a eficiência e a transparência na administração pública estadual”.

Entre os resultados mais expressivos, pontua o governo, estão a recuperação de dívida ativa no valor de R$ 1 bilhão em um único ano numa parceria entre a PGE (Procuradoria Geral do Estado) e a Secretaria da Fazenda. Cita ainda programa Descomplica Paraná e a contribuição junto ao programa de transação tributária da PGE, o RenegociaPr, por meio de uma plataforma.

Um dos motivos apresentados pelo governo para suspender o contrato com a Fapec é justamente os “achados” feitos pelos auditores do TC que resultaram na determinação de interromper qualquer pagamento do Estado à fundação. Inclusive, o governo tinha que comunicar ao TC com cinco dias de antecedência a intenção de realizar qualquer pagamento referente ao contrato com a Fapec.

“A Administração Pública enveredou inúmeros esforços perante a Inspetoria do TCE-PR, no sentido de explicitar a racionalidade do contrato, sob o prisma da empreitada global. Ocorre que neste enquadramento, a Corte de Contas insiste na existência de vícios na fase interna da contratação que geram efeitos direito na execução contratual”.

Diante do posicionamento do TC, o governo considera um cenário absolutamente desfavorável a quaisquer novos pagamentos, “a fim de salvaguardar não apenas o Erário, como também a própria Contratada, que pode vir a ser também implicada nos apontamentos feitos pelo TCE-PR”.

Por fim, como uma das justificativas, o Palácio Iguaçu assevera que a Fapec “desmobilizou parte relevante da equipe disponibilizada para a execução do presente contrato” — o que, segundo o governo do Paraná, “inviabiliza irremediavelmente, no sentir desta gestão, o adequado cumprimento da execução contratual””

“Por certo, a diminuição dos profissionais especificamente voltados à execução contratual impacta no alcance das metas e produtos inicialmente planejados e, consequentemente, adicionam mais insegurança jurídica ao cenário já objeto de apontamentos por parte do órgão de Controle Externo”.

Fapec fala em inadimplência

Ao Blog Politicamente, a Fapec informou que o governo do Paraná “encontra-se em situação de inadimplência com a Fundação, cujos serviços não são remunerados desde dezembro de 2024. Para assegurar a execução do contrato sem assumir riscos adicionais devido ao não pagamento, a FAPEC se viu na necessidade de realizar uma redução parcial da equipe. No entanto, parte da equipe técnica e dos pesquisadores, que possuem o conhecimento essencial para a continuidade dos trabalhos, foi mantida”.

A entidade ressaltou, na nota encaminhada ao Blog Politicamente, que as ações não comprometem a qualidade da execução do contrato e que a desmobilização de uma parte da equipe não afetará o desenvolvimento dos produtos contratados.
Já com relação à decisão de suspender o contrato, a Fapec informou que “a Procuradoria Jurídica da Fundação está avaliando os argumentos apresentados pela Casa Civil, ao mesmo tempo em que realiza uma análise de risco da Fundação (sem fins lucrativos) em frente a situação de inadimplência que perdura há meses”.

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