Campanha de Cristina entra com ação na Justiça para retirar notícias sobre acusações contra vice

Após perder processo, Cristina tenta nova censura de portais de notícias sobre vice

Por Carol Nery, atualizada 9/10, às 14h21

A candidata a prefeita Cristina Graeml (PMB) e o vice, Jairo Filho (PMB), entraram com uma nova representação na Justiça Eleitoral de Curitiba, para tentar retirar links de reportagens de veículos de comunicação referentes a acusações contra o vice da jornalista. Os alvos são o Jornal Impacto Paraná, Jornal Plural, HojePR, XV de Curitiba, Jornal Ônibus de Curitiba e Jornale. Na última semana, os candidatos solicitaram direito de resposta em ação contra a Rádio Jovem Pan e o Portal XV Curitiba, após uma entrevista transmitida ao vivo no Youtube da Jovem Pan, em 18 de setembro de 2024. O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça há poucos dias.

Após perder processo, Cristina tenta nova censura de portais de notícias sobre vice
Cristina Graeml e Jairo Ferreira Filho (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

 

Na nova ação, Cristina e Jairo afirmam que “sofrem ataques, propagação de inverdades, desconvites para debates e, desta vez, ofensa grave”. Conforme descreve o juiz eleitoral Marcelo Mazzali, da 4ª Zona Eleitoral de Curitiba, os candidatos do PMB relembram a participação da candidata Cristina numa live na Jovem Pan na qual foi surpreendida com questionamentos dos apresentadores sobre denúncias contra o vice sobre suposta prática de crime financeiro em três processos de estelionato, apropriação indevida de dinheiro e de compor um esquema de pirâmide financeira.

Eles reclamam que, apesar de terem sido adotadas providências legais, os veículos estão veiculando diversas notícias com o conteúdo — listadas na ação judicial. Cristina e Jairo mencionam que os representados “têm objetivo de influenciar os eleitores mediante disseminação de informações falsas e caluniosas para criar conteúdo de potencial viral com fins espúrios, confundindo o eleitorado e criando estados mentais que prejudicariam o resultado natural do pleito”, explica Mazzali.

Cristina e Jairo também mencionam sobre o direito à liberdade de expressão e de informação na ação judicial e necessidade de cessar o que classificam como “propagação de inverdades, difamação, calúnia e desinformação, com manipulação de vídeo, por meio publicitário que macularia a honra e a imagem de candidatos”. Por isso, segundo Mazzali, pediram a concessão de uma medida liminar para a exclusão dos links mencionados.

“Não há irregularidade”, diz juiz eleitoral

O juiz eleitoral, contudo, não acatou o pedido de Cristina e Jairo por entender que não há irregularidade nas publicações que devam ser coibidas.

“Diante do princípio do direito eleitoral mínimo, deve ser resguardada a liberdade dos portais de informação e da imprensa, desde que não se extrapole o direito à liberdade de expressão e manifestação a ponto de justificar a atuação desta Justiça Especializada. Nesse contexto, os portais e a imprensa exercem relevante função de bem informar a população através de matérias jornalísticas veiculadas em seus sites, redes sociais e por distribuição de periódicos impressos. A veiculação de matérias jornalísticas especialmente em época eleitoral, resguardada a linha editorial do veículo, deve ter conteúdo informativo com presença de imparcialidade, sem preferências”, explicou Mazzalli, na decisão.

Segundo o juiz, os conteúdos correspondem a “meras notícias jornalísticas, especialmente quando se faz referência ao julgamento de Pedido de Direito de Resposta”, referindo-se à live no Youtube da Jovem Pan. Mazzalli lembrou ainda que um pedido similar de remoção de conteúdo jornalístico já foi objeto de julgamento e consequente indeferimento de pedido liminar na última semana. O magistrado, então, concluiu que as matérias veiculadas pelos veículos representados na ação são consideradas alheias ao debate político ou com conteúdo de desinformação.

O juiz eleitoral firmou um prazo de dois dias para a apresentação de defesa por parte dos veículos representados, a partir da notificação.

O Blog Politicamente entrou em contato com a advogada Tainara Prado Laber, que representa os candidatos, na tarde de segunda. Nao início da tarde de quarta (9), ela informou ser “Importante mencionar que não é tentativa de censura como dizem, mas foi procurada a Justiça porque estão distorcendo os fatos! Além disso, nem sentença tem ainda, foi só indeferido o pedido liminar, tendo chances de ser revertido o entendimento”, afirmou a advogada.

 

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